O setor aéreo deverá fechar o ano de 2026 com um lucro líquido de US$ 23 bilhões, cerca de 50% menos do que os US$ 41 bilhões projetados anteriormente para o ano. O corte nas projeções, divulgado neste domingo (7) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), reflete a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o preço do combustível de aviação. Caso a projeção se confirme, o setor deverá ter um lucro 49% menor do que os US$ 45 bilhões de 2025. Já as receitas totais do setor devem atingir US$ 1,165 trilhão em 2026, uma alta de 9,4% em relação ao ano anterior, sobretudo diante de uma disparada nos preços das passagens. Mesmo com o cenário, a Iata destacou que a taxa de ocupação de passageiros deve continuar quebrando recordes históricos, com a previsão de que as empresas preencham 84,0% de todos os assentos ao longo do ano — uma melhora frente aos 83,5% de 2025. O volume de passageiros deve atingir 5,1 bilhões em 2026, alta de 2,4% no ano. “As interrupções operacionais decorrentes da guerra no Oriente Médio e a escalada nos custos de combustível deterioraram as perspectivas para as companhias aéreas. Os resultados financeiros de todas as empresas estão sofrendo com a rápida alta de 70% nos preços do combustível de aviação (QAV)”, disse Willie Walsh, diretor-geral da Iata, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da Iata, no Rio de Janeiro. Segundo Walsh, a subida dos bilhetes aéreos não será suficiente para manter a lucratividade da indústria. “Operadoras de menor porte, que iniciaram o ano com balanços patrimoniais mais fragilizados, certamente estão enfrentando dificuldades”, disse. O cenário é mais complexo no Oriente Médio, que deve ter um resultado financeiro mais afetado por causa do fechamento do Estreito de Ormuz. “O lucro líquido por passageiro deve cair para US$ 4,50, metade do valor registrado no ano passado. Diante das circunstâncias atuais, isso demonstra resiliência. No entanto, essa quantia não é suficiente sequer para comprar um cachorro-quente na maioria dos estádios da Copa do Mundo da FIFA, e não deixa margem de segurança caso outros custos ou impostos comecem a subir", afirmou Walsh. *Repórter viajou a convite da Iata