Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, disse nesta sexta-feira (5) em entrevista à CNN que as negociações para um acordo de paz entre Washington e Teerã dependem da liberação pelo governo de Donald Trump de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados. Ele alertou que, caso o pedido do país persa não seja atendido e os combates sejam retomados, os EUA entrarão em um “corredor sombrio”. “As negociações estão em um impasse e Trump precisa romper esse impasse”, afirmou Rezaei ao canal. “A bola está no campo de Trump”, prosseguiu. Informações divulgadas preliminarmente diziam que a República Islâmica exigia que metade do montante citado, ou seja, US$ 12 bilhões, seja desembolsada imediatamente após a assinatura de um pacto interino. Já os outros US$ 12 bilhões seriam liberados em uma fase posterior das tratativas. Tal exigência, entretanto, tem enfrentado resistência em Washington, onde autoridades americanas avaliam que o desbloqueio dos recursos reduziria um dos principais instrumentos de pressão sobre Teerã. Trump também tem defendido que qualquer acordo seja mais rigoroso do que o pacto nuclear de 2015 e evitado concordar com medidas que possam ser retratadas como uma transferência de recursos ao governo iraniano. O presidente americano, além disso, tem dito sucessivas vezes que não permitirá que o Irã tenha uma arma nuclear. Segundo a CNN, Rezaei teria apresentado a exigência de liberação de ativos congelados de Teerã como uma medida “para construir confiança entre os dois países”. Para o assessor de Khamenei, a iniciativa poderia abrir “um novo horizonte para o futuro” das relações entre Irã e Estados Unidos. Ele advertiu, por outro lado, que, se Washington retomar as hostilidades, há possibilidade do Irã ampliar o conflito para o Oceano Índico, o estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, embora considera a possibilidade de escalada da guerra baixa. Na estrevista, Rezaei também reivindicou a soberania do Irã e de Omã sobre o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, e disse que ambos os países administrarão de forma conjunta a hidrovia – cenário rechaçado pelos EUA. Manifestantes pró-governo iranianos agitam bandeiras do Irã e um retrato do Líder Supremo, Aiatolá Mojtaba Khamenei (à direita), e de seu falecido pai, Aiatolá Ali Khamenei, em uma reunião em uma praça em Teerã, Irã, na sexta-feira, 29 de maio de 2026 — Foto: AP/Vahid Salemi O assessor ainda afastou a hipótese de um encontro entre Trump e o líder supremo de seu país. “Isso não vai acontecer. Neste momento estamos na primeira fase das negociações e o senhor Trump levou as conversas a um impasse. Isso não vai acontecer.” Trump disse no começo desta semana que mantém uma boa interlocução com Khamenei e sugeriu que estaria disposto a se reunir com o líder iraniano caso as negociações avancem. Por fim, Rezaei enfatizou ao canal que um possível fracasso nas negociações de paz faria o mundo compreender “as verdadeiras capacidades do Irã, porque nosso poder terrestre é muitas vezes maior do que nossos mísseis.” Além disso, ele descreveu o conflito atual como a primeira grande vitória militar da República Islâmica em seus 47 anos de existência. “É a primeira vez que o Irã emerge vitorioso de guerras, enquanto nos conflitos anteriores o Irã sempre foi derrotado”, declarou.
Assessor de Khamenei diz que acordo EUA-Irã depende da liberação de US$ 24 bi em ativos congelados
Tal exigência, entretanto, tem enfrentado resistência em Washington, onde autoridades americanas avaliam que o desbloqueio dos recursos reduziria um dos principais instrumentos de pressão sobre Teerã











