Nascidas há mais de três décadas dentro de presídios brasileiros, as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) tornaram-se peças essenciais na logística do tráfico internacional de cocaína. Conquistaram essa posição por meio de parcerias com máfias, cartéis latino-americanos e outros grupos criminosos estrangeiros, alguns dos quais também são considerados terroristas pelos Estados Unidos.

É essa a conclusão que se extrai de pesquisas sobre o tráfico de drogas global, de investigações policiais e da análise de especialistas que estudam o desenvolvimento das facções brasileiras.

As duas facções entraram oficialmente no rol de grupos terroristas do governo americano nesta sexta-feira (5). Entre as demais 94 organizações que já integram o grupo, ao menos quatro já tiveram relações com PCC ou CV apontadas em investigações policiais, pesquisas ou relatórios —todas são grupos latino-americanos que passaram a integrar a lista a partir de 2025, por decisão do governo de Donald Trump.

De um lado, os dois maiores grupos criminosos brasileiros recebem droga dos grandes produtores de cocaína, sobretudo na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Do outro, abastecem as máfias que se especializaram no varejo da droga na Europa, mercado consumidor que viveu expansão contínua na última década —segundo os dados mais recentes da Agência da União Europeia para Drogas, houve recordes de apreensão de cocaína na Europa por sete anos em sequência, de 2017 a 2023.