Um relatório da consultoria Eurasia afirma que o fato dos Estados Unidos terem designado as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas (FTO, na sigla em inglês) deve ter impacto modesto sobre o Brasil. Nos últimos anos, seis países da América Latina foram alvo de medidas semelhantes: México, Colômbia, Haiti, Equador, El Salvador e Venezuela. A Eurasia divide os efeitos de ter uma “organização terrorista” dentro do seu território em três frentes: econômica, militar e política. No campo econômico, apenas México e Venezuela tiveram impactos diretos. No caso venezuelano, os EUA tomaram navios-tanque carregados de petróleo. Já no caso mexicano, em março de 2025 seis indivíduos e sete entidades do cartel de Sinaloa foram classificados como “terroristas”. Três meses depois, três instituições financeiras foram alvo de sanções, proibidas de realizar transações com o sistema financeiro americano e que, eventualmente, tiveram de encerrar suas operações. São elas o CIBanco, Intercam e Vector Casa de Bolsa. Para a Eurasia, a decisão dos EUA sobre PCC e CV não deve ser revertida, mas os impactos devem ser modestos. “Embora os custos de compliance para o setor privado devam aumentar, designações anteriores de FTO em outros países sugerem que as repercussões serão modestas”, diz. “O ônus recairá principalmente sobre as instituições financeiras, mas empresas dos setores de energia, infraestrutura, construção, logística, agronegócio e mineração agora precisam avaliar se alguma parte de suas operações está indiretamente exposta às FTOs”, acrescenta a consultoria. Vector Casa de Bolsa, banco mexicano sancionado pelo governo americano — Foto: Reprodução/Instagram