Uma investigação do The New York Times, assente em documentos internos e processos judiciais, indica que grandes tecnológicas desenharam estratégias para manter adolescentes colados aos ecrãs durante as aulas. Os dados surgem em acções movidas por mais de 1400 distritos escolares norte‑americanos contra a Meta, a Snap, o TikTok e o YouTube, num momento em que várias escolas ponderam proibir telemóveis.Os documentos agora divulgados descrevem práticas de marketing dirigidas ao espaço escolar. O Snapchat, por exemplo, enviava notificações em plena aula, incentivando os alunos a partilhar o que estava a acontecer naquele instante. Nos relatórios de estratégia, este período crítico de distracção era designado como o momento “sob a carteira”.Já a Meta recorreu a uma rede de “embaixadores” adolescentes pagos para promover o Instagram entre pares e distribuir brindes nos recreios, levando a pressão das marcas para dentro do próprio recinto escolar.Silêncio comprado, ecrãs ligadosNo caso do TikTok, a actuação teve também dimensão financeira. A plataforma terá transferido milhões de dólares para a associação nacional de pais dos EUA, para financiar eventos sobre segurança online e assegurar respostas favoráveis à comunicação social. Em simultâneo, a administração rejeitou recomendações internas que defendiam o bloqueio de notificações durante o período lectivo.A Google enfrenta críticas semelhantes: gestores do YouTube estariam cientes de que o algoritmo sugeria conteúdos de entretenimento a alunos que utilizavam Chromebooks nas aulas, mesmo quando os dispositivos eram destinados a fins pedagógicos.“É uma tentação constante para estes miúdos estarem numa plataforma que promete entretenimento infinito, em vez de se concentrarem no que devem fazer na escola”, disse Previn Warren, um dos advogados que representa os distritos escolares.As revelações ajudam a enquadrar quebras de rendimento e fenómenos de isolamento relatados por professores e famílias. O debate deixa de ser apenas sobre distracção e passa a apontar para um problema estrutural de dependência planeada.Em resposta, algumas escolas já apertaram regras e reavaliam práticas pedagógicas. Os documentos sugerem que a batalha pela atenção nas salas de aula não se trava apenas contra o desinteresse dos alunos, mas contra sistemas desenhados para o vencer.
Como as redes sociais criaram tácticas para viciar alunos nos ecrãs durante as aulas
Investigação revela estratégias deliberadas das tecnológicas para capturar a atenção de estudantes em horário lectivo, contornando regras escolares e recomendações internas.












