Sob operação da Regenera Rio, CTR-Rio transforma resíduos em combustível renovável, reduz emissões de gases de efeito estufa e amplia o papel da gestão de resíduos na agenda ambiental do país Com capacidade de captar cerca de 25 mil Nm³ de biogás por hora, o CTR-Rio converte resíduos em energia renovável e reforça potencial dos aterros sanitários como ativos de soluções ambientais integradas. — Foto: Divulgação Cuidar dos resíduos deixou de ser visto, nas últimas décadas, apenas como uma forma de descarte do lixo para se tornar prioridade quando o assunto é meio ambiente. Alinhado a esse novo olhar, o lixão de Jardim Gramacho, que recebia os resíduos do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana, foi desativado em 2012 e substituído pelo Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), localizado no município de Seropédica. O aterro sanitário consolidou um novo paradigma para a gestão de resíduos. Sua operação, fundamentada em tecnologia e alinhada às normas ambientais, tem como compromisso reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a transição energética, reunindo diferentes frentes da sustentabilidade em uma mesma operação. — O aterro sanitário hoje vai muito além da destinação final dos resíduos. É uma estrutura ambiental que permite reduzir emissões, reaproveitar subprodutos e gerar energia renovável. O lixo deixa de ser apenas um passivo e passa a integrar uma cadeia de soluções ambientais — explica Maurício Batista, diretor-presidente da Regenera Rio, empresa que assumiu a operação em dezembro de 2025. Diariamente, o CTR-Rio recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos, oriundos de cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs) espalhadas pela cidade do Rio, nos bairros do Caju, Marechal Hermes, Santa Cruz, Bangu e Jacarepaguá. O tratamento adequado dos resíduos evita a emissão do metano, gás com potencial de aquecimento global aproximadamente 28 vezes maior que o CO₂, e gera dois subprodutos importantes: o chorume e o biogás, posteriormente transformado em biometano. A captura e utilização do metano e CO2 presentes no biogás representa uma redução efetiva de emissões de gases de efeito estufa, constituindo a base para a geração de créditos de carbono pela Regenera Rio. — A operação atende às normas e exigências ambientais. O aterro conta com várias camadas de proteção que impedem o contato dos resíduos com o solo e o lençol freático, conduzindo o chorume para uma estação de tratamento específica dentro do CTR-Rio. São cerca de 1,5 mil a 2 mil m³ de chorume por dia. Parte do que é tratado é convertido em água de reúso e utilizado na umectação das vias por onde circulam os caminhões. Em períodos de chuva, esse volume pode chegar a 12 mil m³. A operação é preparada para isso: temos 315 mil m³ de capacidade de armazenamento. O que excede a capacidade é enviado para estação externa devidamente habilitada pelo órgão ambiental — detalha Batista. Maior aterro sanitário do Brasil, o CTR-Rio recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia e integra ações de controle ambiental, captação de biogás e geração de combustível renovável. — Foto: Divulgação Descarbonização do Rio de Janeiro A planta capta aproximadamente 25 mil Nm³ de biogás por hora. Gerado pela decomposição da parcela orgânica dos resíduos, o material é captado e transformado em biometano, gás renovável com potencial para substituir combustíveis fósseis. Parte das carretas utilizadas na operação do CTR-Rio já utiliza o biocombustível, e há expectativa de substituição integral da frota. — O investimento nos caminhões movidos a biometano estima evitar a emissão de mais de 15 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, por ano. Além disso, há a proposta de otimizar a dinâmica operacional com a implementação de caçambas capazes de suportar maior volume de resíduos, passando de 60 m³ para 80 m³. Essas medidas trazem ganhos operacionais, logísticos e ambientais — afirma o diretor-presidente. A Regenera Rio vê como caminho obrigatório a ampliação das ações voltadas à destinação adequada de materiais que não sejam orgânicos. O aterro, de acordo com Batista, tem vida útil prevista para além de 2070, garantindo margem de tempo para o avanço da gestão de resíduos. Em Seropédica, o CTR-Rio transforma um dos maiores desafios urbanos em ativos estratégicos, reduzindo emissões de metano e impulsionando a economia circular e a transição energética do país. — Foto: Divulgação — De forma geral, a sociedade ainda recicla pouco resíduos como latas, PET, papelão e vidro. Existe uma série de materiais que já possuem mercado de reaproveitamento. Entre nossas contribuições para a operação está trazer novas tecnologias e iniciativas de triagem, de forma que seja possível integrar cooperativas de catadores e avançar no fortalecimento dessa cadeia produtiva — diz. Até 2028, a empresa prevê investir R$ 105 milhões na ampliação das redes, automação e aumento da eficiência da captação e da qualidade do biogás. De olho no mercado e na transição energética, o diretor-presidente avalia de forma positiva a ampliação do uso de biometano no país. Alguns municípios já utilizam o combustível em suas frotas, mas ainda é necessário ampliar políticas públicas que incentivem o fornecimento e o consumo de energia limpa. — O mercado da regulamentação vem adquirindo maturidade. Assim como ocorreu na universalização do saneamento básico, o segmento de biometano começa a receber incentivos de grandes players. O maior desafio é desenvolver políticas públicas de longo prazo e equilibrar isso com a capacidade de purificação do biogás em biometano. Quando esse movimento acontece, há o alinhamento entre demanda e oferta, garantindo o desenvolvimento sustentável do setor — explica. A busca por uma solução integrada, prevista no contrato da companhia com a prefeitura do Rio, válido até 2036, também inclui a criação de um Centro de Operações Integradas. O serviço irá monitorar a operação em tempo real, gerenciando toda a cadeia de resíduos direcionada ao CTR-Rio, com possibilidade de acompanhamento também das frentes de coleta urbana. — Quando você monitora toda a cadeia operacional em tempo real, consegue antecipar decisões e atuar de forma propositiva. Acompanhar de perto o crescimento da demanda, os fluxos operacionais e as condições de trânsito permitirá otimizar continuamente a logística e a operação. Isso ajuda a identificar eventuais entraves de forma preventiva, evitando impactos na rotina da população e trazendo ganhos para toda a cidade — conclui Batista.
Maior aterro sanitário do Brasil impulsiona transição energética no Rio de Janeiro
Sob operação da Regenera Rio, CTR-Rio transforma resíduos em combustível renovável, reduz emissões de gases de efeito estufa e amplia o papel da gestão de resíduos na agenda ambiental do país














