O ano de 1981 foi marcante para o Brasil. O país rumava para o fim da ditadura militar, com o atentado do Riocentro e a abertura política sob João Figueiredo. Pelé foi eleito "atleta do século" pelo jornal francês L’Équipe. Silvio Santos inaugurou o SBT.

Um abalo sísmico contrário, porém, chegou pelo noticiário de saúde: em 5 de junho daquele ano, os Estados Unidos identificaram o começo de uma epidemia de Aids que se tornaria global e atingiria também a sociedade brasileira pelos 45 anos seguintes, completos nesta sexta-feira (5). Quase meio século depois, o país ainda amarga duros índices, com milhares de novos diagnósticos e mortes por ano.

Desde 1982, quando a epidemia chegou ao Brasil, 1,6 milhão conviveram com o HIV. Destes, 1,1 milhão de casos progrediram para Aids, segundo o DataSUS. Até o fim de 2024, 402 mil pessoas morreram pela doença.

O vírus que encurtou a vida de Cazuza (1990), Freddie Mercury (1991) e Renato Russo (1996) contaminou 25.571 pessoas no ano passado e matou 9.157 em 2024 no Brasil.

Vista então como uma sentença de morte, a Aids ganhou tratamentos que derrubaram sua letalidade. O estigma, contudo, permanece como um obstáculo à eliminação da doença, afirma Alvaro Costa, infectologista do Hospital das Clínicas e sub-investigador da Unidade de Pesquisa do Centro de Referência e Tratamento DST/Aids.