Eleições 2026
Na quinta-feira 28, dois homens olharam para a mesma notícia e calcularam jogadas opostas. Em Washington, Flávio Bolsonaro posava para a foto que vinha caçando havia meses. Em Brasília, Lula reunia ministros, montava um grupo de trabalho, calculava os próximos passos. O Departamento de Estado dos EUA acabara de colocar PCC e CV na mesma lista do Hamas e do Hezbollah. Um sorria. O outro convocava reunião. Os dois sabiam que o placar não estava no comunicado de Marco Rubio, estava no porvir.
O que Flávio fez tem pouco a ver com combater facção. Tem a ver com voltar ao centro do jogo. Desde o tarifaço do ano passado, a família carregava um peso: o pai preso, o irmão morando na Flórida, e um agro que, depois de apanhar da tarifa imposta por Washington, preferiu manter distância do sobrenome que ajudou a provocá-la. Some a isso o caso Vorcaro pegando fogo nas páginas dos jornais.
A foto na Casa Branca é um gesto de reposicionamento. No meio do escândalo do Banco Master, Flávio achou uma pauta promissora e plantou a bandeira nela: a única agenda em que a esquerda gagueja desde sempre: segurança pública. Pegou um momento difícil e saiu dele com a imagem de quem entrega.
O lance de Flávio não foi marcar gol. Foi escolher o estádio. Quem decide isso começa em vantagem, porque joga em casa. A direita passa o ano tentando arrastar a eleição para o terreno dela. Não a economia, que melhorou e tira votos dela. Não o emprego, que voltou. O medo. A esquina mal iluminada. O filho que sai e a mãe que não respira até ele voltar. Segurança é o gramado onde a direita joga de meia inteira, com torcida e mando de campo.















