O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira que o Pentágono rejeita o que classificou como “todas as tentativas de derrubar” o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em meio à pior onda de protestos enfrentada pelo governo desde o início do mandato. Hegseth fez os comentários na rede social X após semanas de agitação social e manifestações em massa que bloquearam ruas e rodovias em diversas regiões do país. “Continuaremos apoiando parceiros do A3C, como a Bolívia, para garantir que os narcoterroristas sejam contidos”, escreveu Hegseth. O A3C é a Coalizão Contra Cartéis proposta pelos Estados Unidos, integrada por 17 países, entre eles Argentina, Honduras e República Dominicana. Brasil, México e Colômbia não participam da iniciativa. O secretário não explicou a quem se referia ao usar o termo “narcoterroristas”. O governo americano tem manifestado preocupação com a crescente influência do narcotráfico na região, mas os protestos bolivianos vêm sendo apresentados pelos organizadores como uma mobilização contra o governo e a deterioração das condições econômicas. Na quarta-feira, Paz promoveu uma reforma ministerial e anunciou a demissão dos ministros da Defesa e da Educação. Ernesto Justiniano, novo titular da Defesa, prometeu retirar os bloqueios de estradas que vêm causando desabastecimento em La Paz e El Alto. “A tarefa imediata é restaurar a normalidade: estradas transitáveis, abastecimento, atendimento médico, trabalho e paz”, afirmou Justiniano. Paz já havia demitido anteriormente o ministro do Trabalho em uma tentativa de reduzir as tensões e conter o desgaste político do governo. A crise teve início em maio com uma greve de trabalhadores motivada por reivindicações econômicas. O movimento evoluiu para bloqueios de rodovias, interrompendo o acesso às cidades de La Paz e El Alto, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas. Os manifestantes exigem a renúncia de Paz e medidas para conter o aumento do custo de vida. Também protestam contra um escândalo envolvendo combustíveis adulterados, que causou prejuízos ao setor de transportes e ampliou a insatisfação com o governo. Paz vinha se recusando a usar a força para dispersar os protestos por temer uma escalada da crise. Parte da tensão política também está relacionada a uma ordem de prisão emitida contra o ex-presidente Evo Morales por acusações de tráfico de pessoas. Morales mantém forte apoio em setores da população e rejeita as acusações. Seus apoiadores denunciam perseguição política, enquanto o governo sustenta que o caso deve ser tratado pela Justiça. A disputa contribuiu para aprofundar as divisões políticas no país e aumentar a pressão sobre a administração de Paz.