Tratando-se de Donald Trump, presumir intenções e cálculo estratégico é um exercício arriscado. Não que ele não tenha preferências e objetivos políticos, mas nem sempre é capaz de hierarquizá-los e definir rotas coerentes para efetivá-los.
Embora Trump tenha desenvolvido um relacionamento até cordial com Lula, não há dúvida de que seu coração é bolsonarista. Tivemos uma prova disso na semana passada, quando o presidente americano não só recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca como também acedeu a seu pedido para classificar PCC e CV como organizações terroristas.
A questão das tarifas é mais complicada. Não dá para descartar que Trump tenha pretendido ajudar a família Bolsonaro com o timing dos anúncios, ainda não oficializados, de novas taxas para produtos brasileiros, mas não estou nem um pouco seguro em relação ao efeito real dessas medidas. É provável que elas mais prejudiquem eleitoralmente o clã golpista do que o beneficiem.
Acredito que esse seja um ponto cego do Agente Laranja. Sua visão de mundo é tão autocentrada que a hipótese de o planeta não se curvar a seus desejos nem lhe passa pela cabeça. Empiricamente, porém, ele é um pé-frio eleitoral. Nos pleitos estrangeiros em que se meteu, com declarações ou ações concretas, os candidatos e partidos por ele apoiados colecionaram mais reveses do que sucessos. Um caso emblemático recente é o do húngaro Viktor Orbán, derrotado em abril depois de 16 anos no poder.












