A reitora da Universidade Católica, Isabel Capeloa Gil, estreou-se no Conselho de Estado por indicação do Presidente da República e congratula-se com o reconhecimento da ciência e da academia que esse gesto encerra. Pela sua experiência, considera que a polarização é cada vez mais "catchy" junto das gerações mais jovens e um dos problemas do país como um todo continua a ser a burocracia e a lentidão da justiça. Em entrevista ao Hora da Verdade, uma parceria do PÚBLICO-Renascença, confessa que ainda não viu as propaladas reformas do actual Governo de Luís Montenegro.Foi uma das cinco escolhas de António José Seguro para o Conselho de Estado. É a primeira vez que alguém nomeado pela Igreja também faz parte deste órgão. O que é que a reitora da Universidade Católica Portuguesa tem para dar num meio que é tão eminentemente político? A reitora da Universidade Católica é uma cidadã e, como cidadã, tem opiniões políticas e opiniões relativamente ao estado do país. A diversidade de experiências é importante em órgãos de aconselhamento de alto nível da nação.Nesta composição, há três académicos. Isso reflecte uma maior visibilidade da importância da academia e da ciência para o desenvolvimento do país. É particularmente positivo, em primeiro lugar, porque a ciência não se faz virada para dentro, faz-se na sociedade e, portanto, reage àquilo que são impulsos sociais. A ciência é construída socialmente, não existe num nível de pureza neutra absoluto.É muito importante esse reconhecimento e sobretudo numa altura de discurso público de descrença na ciência, o que é terrível. Há todo um discurso de desinformação, que não é só na ciência. É um discurso de desinstitucionalização. É importante que nos consciencializemos cada vez mais que um sistema de ensino superior muito robusto, como aquele que temos, é um braço fundamental da afirmação do país.E que preocupações é que leva para o Conselho de Estado, o que é que gostava que o Conselho de Estado discutisse e que tomasse como prioridade? Acho que não tenho que levar preocupações para o Conselho de Estado. Como conselheira, o que tenho que fazer é responder àquilo que são as preocupações do Presidente. Uma conselheira não tem agenda, é uma posição de serviço ao país.Como reitora, tem sentido a sangria de cérebros para o estrangeiro? Os estudantes portugueses têm consciência da qualidade das instituições onde estão. A nossa grande concorrência está não ao nível da entrada no ensino superior na licenciatura, mas depois na formação.