Drama de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4) Carla Ribas em cena de 'Dolores' — Foto: Divulgação/Mujica Saldanha RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O longa acompanha uma mulher de 65 anos que decide vender sua casa após prever que terá um cassino. A decisão gera conflitos familiares intensos. Marcelo Gomes assumiu o projeto a pedido de Chico Teixeira. Para a codireção, ele convidou Maria Clara Escobar, estabelecendo uma parceria inédita na função. Com elenco majoritariamente feminino, a produção destaca a solidariedade e o afeto entre as personagens. Atrizes como Carla Ribas e Zezé Motta integram o elenco principal. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Chico Teixeira, cineasta carioca que morreu em 2019, aos 61 anos, vítima de um câncer de pulmão, ficou conhecido pelo trabalho nos filmes “A casa de Alice” (2007), exibido na sessão não competitiva Panorama do Festival de Berlim, e “Ausência” (2014), vencedor de quatro Kikitos no Festival de Gramado, incluindo melhor filme. Com sua morte, o diretor deixou planos para um longa que não conseguiu realizar: “Dolores”, que concluiria sua Trilogia do Afeto. Pouco mais de seis anos após a partida do realizador, o projeto chega aos cinemas sob as mãos de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. Amigo próximo de Chiquinho, como era conhecido, Marcelo trabalhou com ele no roteiro de “A casa de Alice” e também ajudou no desenvolvimento de “Ausência”. O cineasta pernambucano recebeu como uma missão o pedido do amigo. — Quando o Chico ficou doente, ele me disse: “Marcelo, alguém tem que dar vida a ‘Dolores’ e esse alguém é você”. Ele me deixou essa missão que também foi um presente — lembra Marcelo, de 62 anos, em conversa por telefone. A partir daí, Marcelo convidou Maria Clara para trabalhar com ele no projeto. Os dois já desenvolvem uma parceria de mais de uma década. Ele auxiliou a diretora na realização de seu primeiro longa, “Os dias com ele” (2012). Na sequência, ela trabalhou como assistente de direção e seleção de elenco de vários dos longas do realizador. Agora, pela primeira vez, dividem a função principal. — Foi muito especial poder mergulhar no universo do Chiquinho. Pude ler os cadernos dele e passear por suas pesquisas — conta Maria Clara, de 37 anos. — Acabei conhecendo ele de forma póstuma. Buscamos um filme de nós três. Trocar a casa por um cassino Exibido nos festivais de Roterdã e San Sebastián, “Dolores” acompanha uma mulher de 65 anos, vivida por Carla Ribas, que tem uma premonição: ela será dona de um cassino de sucesso. Para investir no negócio, precisa vender sua casa e, para isso, precisa da autorização da filha Deborah (Naruna Costa). As duas vivem uma relação conflituosa, bem diferente da existente entre Dolores e a neta Duda (Ariane Aparecida). Enquanto Dolores pensa no novo negócio, Deborah espera o retorno do ex-companheiro, prestes a deixar a prisão. Já Duda sonha em se mudar para os Estados Unidos. Além do trio principal, o longa conta com Gilda Nomacce, Teca Pereira e Zezé Motta em personagens de destaque, reforçando um elenco em sua maioria formado por mulheres. — Tem uma coisa sobre a solidariedade feminina que é feita apenas no olhar, sem palavras. Maria Clara foi muito importante para me fazer acessar isso — diz Marcelo. Marcelo e Maria Clara destacam o sonho e o afeto como elementos fundamentais na vida de suas protagonistas, mesmo que feridas pela vida, algo que, contam, já estava na primeira versão do roteiro de Chico, um terceiro apaixonado por personagens complexos e contraditórios. Experiente em processos de codireção — ele fez “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (2009), com Karim Aïnouz, e “O homem das multidões” (2013), com Cao Guimarães —, Marcelo Gomes classifica a direção conjunta como uma forma de “desconstrução do ego”, em que cada realizador busca fazer o que é melhor para o filme e não necessariamente para si. — Poderia ter feito todos os três filmes sozinho, mas tenho certeza de que eles são muito mais ricos por terem sido feitos com outras pessoas que dividem comigo o interesse nestes tipos de história e personagens — conclui o diretor.
Com 'Dolores', cineastas concluem trilogia de colega morto em 2019: 'Uma missão que também foi um presente'
Drama de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4)










