Em todo o país existe um estoque de cerca de 2,8 milhões de perícias represadas e 3.000 peritos médicos federais ativos. No último fim de semana, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) abriu agências para realizar um mutirão de 59 mil perícias, presenciais ou à distância, o que corresponde a 2% de pendências analisadas. Apesar do esforço, a iniciativa é um paliativo. Não resolve o problema e pode gerar mais retrabalho.
Em condições normais de temperatura e pressão, as perícias do INSS já são altamente polêmicas. O número de reprovações é expressivo. Trabalhadores incapazes são considerados aptos, o que motiva estes a levarem suas insatisfações e indeferimentos ao crivo do Judiciário.
Há relatos de segurados que tiveram perícias concluídas em poucos minutos, foram tratados com grosseria pelo perito ou tiveram seus documentos e exames solenemente ignorados.
Com esse surto de produtividade e a necessidade de analisar milhares de benefícios em curto espaço de tempo, a qualidade dessas avaliações médicas inevitavelmente cederá lugar ao aspecto quantitativo.
Os segurados são convocados em cima da hora, sem tempo para atualizar os exames. O sistema informático apresenta falhas com a sobrecarga de atendimento e gera mais gastos com bônus de desempenho e acréscimo de remuneração para servidores públicos que trabalham fora da jornada convencional.







