A S&P Global Ratings reiterou a nota de crédito global “BB” da Axia Energia, mantendo também perspectiva estável. Os analistas Bruno Ferreira, Flávia Bedran e Julyana Yokota escrevem que a simplificação da estrutura societária e o acordo recente firmado com o governo federal fortaleceram o perfil de governança da companhia. A melhoria na segurança jurídica foi consolidada em dezembro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou o acordo com a União, encerrando disputas entre as partes que vinham se arrastando desde a privatização da então Eletrobras. O pacto limita a interferência estatal ao ratificar o teto de 10% para o poder de voto do governo e definir a composição do conselho de administração em dez membros, com indicações governamentais restritas a três posições. A Axia também se desobrigou de financiar Angra III e obteve permissão para vender sua participação na Eletronuclear para a Âmbar Energia, mantendo compromissos financeiros restritos a aproximadamente R$ 2,4 bilhões com Angra I. No âmbito financeiro, a companhia adentra um ciclo intensivo de investimentos focado na expansão e aprimoramento de sua rede de transmissão, além da modernização de usinas hidrelétricas. A agência projeta que os aportes saltem de R$ 7,4 bilhões em 2025 para um patamar entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões em 2026, devendo se estabilizar entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões a partir de 2028. Para dar suporte a essa expansão sem comprometer a liquidez, a empresa deve adotar uma alocação de capital disciplinada, com forte redução na distribuição de dividendos em dinheiro, que devem recuar de R$ 12,3 bilhões em 2025 para até R$ 3,3 bilhões em 2026. Apesar das pesadas necessidades de capital, eles espera que a alavancagem da Axia diminua de 4,7 vezes em 2025 para um nível próximo a quatro vezes em 2026 e 2027 e volte a subir para a faixa de 4,5 a 5 vezes em 2028 devido ao fim da compensação financeira RBSE (Rede Básica Sistema Existente). A perspectiva estável reflete a resiliência operacional da Axia, além da sua previsibilidade do fluxo de caixa sustentada pela estabilidade do segmento de transmissão e pela migração gradual de sua capacidade hidrelétrica para o mercado livre de energia. Fachada da sede da Axia Energia — Foto: Divulgação/Axia Energia