A internação da atriz e influenciadora Joana Cabral, de 37 anos, reacendeu discussões sobre os limites de estratégias adotadas em busca do emagrecimento rápido. A artista revelou ter passado mal após permanecer cerca de 60 horas em jejum com o objetivo de perder cinco quilos. Segundo ela, o episódio resultou em um "apagão" dentro de casa e motivou sua ida ao hospital, onde foi diagnosticada com hipoglicemia, pressão baixa e batimentos cardíacos enfraquecidos. Joana segue internada para investigação do quadro. "Independentemente da causa, nunca mais farei isso. Não vale o risco", afirmou. O caso chama atenção para uma prática que ganhou popularidade nos últimos anos e passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas que buscam perder peso ou melhorar indicadores metabólicos. O jejum intermitente consiste em alternar períodos sem ingestão de alimentos com janelas específicas para as refeições, estratégia que tem sido estudada por seus possíveis efeitos sobre o metabolismo e o controle do peso. Apesar da ampla divulgação do método, especialistas alertam que ele não é indicado para todos os perfis e que sua adoção sem orientação profissional pode trazer consequências à saúde. Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), os riscos aumentam quando o jejum é realizado de forma prolongada ou sem planejamento alimentar adequado. "As pessoas ficam longos intervalos sem comer e nos períodos que se alimentam o fazem de forma inadequada e por isso podem ter alterações metabólicas como hipoglicemia, desnutrição, desidratação, sintomas como fraqueza muscular, dificuldades de concentração e ainda aumentar a tendência de desencadear transtornos alimentares como compulsão alimentar periódica, bulimia e anorexia", detalha. Caso de Joana Cabral levanta debate sobre limites do jejum para emagrecer — Foto: Reprodução Instagram A especialista explica que os protocolos mais conhecidos costumam prever períodos de restrição que variam entre 10 e 24 horas, realizados diariamente ou em dias específicos da semana. Entre os modelos mais populares estão o método 16/8, que intercala 16 horas de jejum com uma janela de oito horas para alimentação, e o sistema 5/2, que combina dias de alimentação habitual com períodos de restrição calórica. "O jejum intermitente segue programas que aproveitam o tempo de jejum para melhorar o uso de gordura como fonte de energia e equilibrar hormônios, como a insulina, ajudando no controle do peso e, potencialmente, na saúde metabólica", diz. "Ele pode ser realizado de várias maneiras, sendo as mais comuns o método 16/8, que consiste em 16 horas de jejum seguidas por uma janela de 8 horas para alimentação; o método 5/2, em que há alimentação normal por cinco dias e restrição calórica severa, de 500 a 600 kcal, em dois dias da semana; o Eat-Stop-Eat, que propõe jejum de 24 horas uma ou duas vezes por semana; e o jejum alternado, em que dias de restrição calórica são seguidos por dias de alimentação normal", pontua. Marcella ressalta que o método não deve ser encarado como uma solução isolada. Segundo ela, os resultados dependem da qualidade da alimentação e dos hábitos adotados fora dos períodos de restrição. "Qualquer outra dieta de grande restrição deve ser evitada. Também não há sentido em uma alimentação desequilibrada, com calorias liberadas alternada com períodos de jejum", observa. O que o caso de Joana Cabral revela sobre os riscos do emagrecimento acelerado — Foto: Reprodução Instagram A nutróloga destaca que pesquisas publicadas nos últimos anos apontam benefícios potenciais da estratégia em determinadas condições de saúde, embora os resultados possam variar de pessoa para pessoa. "Nos últimos anos, milhares de estudos científicos relataram as vantagens e limitações do jejum intermitente. Estudos pré-clínicos e ensaios clínicos mostraram que a estratégia apresenta benefícios de amplo espectro para muitas condições de saúde, como obesidade, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, cânceres e distúrbios neurológicos", explica a Dra. Marcella. Quando associado a mudanças sustentáveis na alimentação e no estilo de vida, o método também pode contribuir para a perda de peso. Ainda assim, a especialista lembra que os resultados não são garantidos e dependem da forma como o plano alimentar é conduzido. "Evidências sugerem que os programas de restrição calórica intermitente (jejum intermitente) produzem perda de peso equivalente quando comparados com os de restrição calórica contínua. Mas se não houver um planejamento e o consumo de calorias for excessivo nos períodos de ingesta alimentar, pode haver ganho de peso e piora de perfil metabólico", ressalta. Especialista explica os riscos do jejum prolongado após caso de Joana Cabral — Foto: Reprodução Instagram A indicação, segundo a médica, deve sempre levar em conta as condições clínicas e os objetivos de cada paciente. Gestantes, lactantes, crianças, adolescentes e parte dos portadores de doenças crônicas estão entre os grupos para os quais a prática costuma ser contraindicada. "Vale ressaltar que todos os tipos de jejum são contraindicados para gestantes, lactantes, crianças, adolescentes e alguns doentes crônicos. E para qualquer pessoa, é sempre importante procurar acompanhamento médico nutrológico para a realização de jejum intermitente. A indicação deve ser individualizada para evitar riscos à saúde, considerando fatores como estilo de vida, objetivos e saúde individual", conclui a Dra. Marcella.