Ministro Cristiano Zanin, durante julgamento no STF — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Na semana passada, o ministro Cristiano Zanin manteve sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação que trata de venda de sentenças envolvendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A justificativa foi a de que as apurações incluem autoridades com prerrogativa de foro. A coluna apurou que essas autoridades são ministros do STJ que estão no foco das apurações da Polícia Federal. Esses ministros estão sendo investigados a partir das provas colhidas sobre o esquema de venda de sentenças articulado pelo lobista Andreson Gonçalves, que foi alvo da denúncia já oferecida ao STF. A PF indica que o advogado Roberto Zampieri - morto a tiros em Mato Grosso e dono do celular que deu início às investigações sobre a venda de sentenças - era apenas um dos clientes de Andreson no "arranjo negocial estruturado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça". A Procuradoria-Geral da República (PGR) descartou a hipótese de que as magistradas Nancy Andrighi e Isabel Gallotti tivessem envolvimento no esquema de corrupção da corte. Em sua decisão, Zanin disse à PGR que as duas ministras nunca chegaram a ser alvos de procedimentos investigatórios. Outros membros do STJ, no entanto, estão na mira da Polícia Federal, que conduz o inquérito. Zanin ainda prorrogou o prazo para concluir a investigação por mais 60 dias. Até o momento, a PGR denunciou nove envolvidos por crimes de corrupção, organização criminosa, violação de sigilo funcional, exploração de prestígio e lavagem de dinheiro. Nenhum deles, no entanto, pertence alto escalã do STJ.