PUBLICIDADE Oficial substitui Vergílio Corrêa Mariano no principal batalhão de elite da Polícia Militar paulista Em foto de arquivo, solenidade para marcar aniversário da Rota, a tropa de elite da PM paulista: integrantes do grupo são suspeitos de fazer escolta para o PCC — Foto: Divulgação/Governo de São Paulo/15-10-2018 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 12:19 Novo Comandante da Rota Enfrenta Questionamentos por Conflitos de Interesse O tenente-coronel Antônio Emanuel Andrade e Silva foi nomeado como novo comandante da Rota, substituindo Vergílio Corrêa Mariano. Silva, recentemente promovido, enfrenta questionamentos devido a possíveis conflitos de interesse por ser sócio, junto a familiares, de empresas na área de segurança e tecnologia. Além disso, sua proximidade com o ex-comandante José Augusto Coutinho, envolvido em investigações sobre policiais e o PCC, levanta dúvidas. A concentração de empresas ligadas a Silva não constitui irregularidade, mas pode violar o Código Penal Militar se comprovado o conflito de interesses. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O tenente-coronel Antônio Emanuel Andrade e Silva foi anunciado na manhã desta quarta-feira (3) como o novo comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo. Silva estava como subcomandante do batalhão, e foi escolhido para substituir Vergílio Corrêa Mariano, que recentemente foi promovido a coronel e assumiu o Comando de Policiamento Ostensivo e Preventivo na Área Central de São Paulo (O CPA/M1). O GLOBO apurou que o próprio Silva, também recém-promovido de major a tentente-coronel, tinha dúvidas sobre sua nomeação. Isso porque ele e alguns familiares têm empresas na área da segurança privada, o que poderia configurar conflito de interesses. Levantamento da reportagem realizado com base na Junta Comercial do Estado de São Paulo mostra que parentes e pessoas próximas ao tenente-coronel Silva figuram como sócios ou administradores de empresas que atuam em áreas como consultoria, terceirização de serviços, segurança eletrônica e prestação de serviços empresariais. Uma delas é a TPCS Consultoria e Treinamentos Ltda., da qual o próprio oficial e sua esposa, Talita Pedroso Correia e Silva, aparecem como sócios. Embora a companhia tenha como atividade principal o desenvolvimento profissional e a realização de treinamentos, sem atuação formal no setor de segurança, seu endereço coincide com um local identificado por uma placa como sede do chamado "Grupo Bravo TE", que na internet vende serviços de monitoramento e segurança para condomínios, indústrias, comércios, residências. A reportagem identificou uma série de empresas ligadas a familiares e pessoas do círculo próximo do oficial que compartilham a marca "Bravo". Entre elas está a Bravo TE Multiservices, que tem como sócio Fabiano Fernandes da Silva Sá, primo de Silva. Já a Bravo Segurança Eletrônica e Tecnologia está registrada em nome de Getúlio Fernandes da Silva, tio do oficial. Getúlio também aparece como sócio da AF Segurança Eletrônica e Comércio, além de outras três empresas do ramo alimentício — duas sediadas no Rio de Janeiro e uma em São Paulo. Outra companhia com nome semelhante é a Bravo TE - 2 Serviços Especializados. Registrada em um endereço localizado em uma travessa no Rio de Janeiro, ela tem como sócia Alice Maria Dias, uma antiga vizinha do casal Silva e Talita. No mesmo endereço no Rio de Janeiro também funciona a Safe Multiserviços, igualmente registrada em nome de Alice. A concentração de empresas vinculadas a familiares e pessoas próximas ao oficial não representa, por si só, qualquer irregularidade. Mas, de acordo com o Artigo 204 do Código Penal Militar, caso seja constatado um potencial conflito de interesses, a questão pode ser considerada uma violação dos deveres funcionais, podendo resultar em sanções disciplinares e até mesmo na demissão ou expulsão da corporação. A reportagem tanta contato com o oficial e com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Proximidade com ex-comandante-geral Outro ponto questionado por oficiais da PM ouvidos pelo GLOBO é a proximidade de Silva com o ex-comandante-geral da corporação, o coronel José Augusto Coutinho. Os dois viajariam juntos em família e frequentariam sambas e churrascos aos finais de semana. Coutinho, que foi afastado do cargo em maio, é citado em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apura a atuação de policiais militares na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo depoimento à Corregedoria obtido pelo GLOBO, Coutinho, à época comandante da Rota, tentou convencer um policial suspeito de prestar serviço de segurança para a Transwolff, empresa de ônibus investigada por elo com a facção na capital paulista, a permanecer no batalhão. De acordo com a investigação da Corregedoria, sete PMs aderiram de forma “consciente e voluntária” ao esquema e contribuíram para a “continuidade operacional das atividades empresariais utilizadas para a lavagem de capitais”. Ainda de acordo com a Corregedoria, além de escoltar os diretores da empresa investigada por elo com o PCC, os policiais eram pagos com notas frias. Um depoimento sigiloso do promotor de Justiça Lincoln Gakiya à Corregedoria detalhou o funcionamento de um núcleo de vazamento da Rota. Segundo o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os vazamentos que beneficiaram a facção foram informados ao ex-comandante-geral Coutinho. De acordo com Gakiya, principal nome do combate ao PCC no país, ele informou pessoalmente a Coutinho sobre um vazamento na Rota que teria contribuído para a fuga do na época número 1 da facção paulista na rua, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta. Na mesma ocasião, contou sobre uma gravação ilegal, feita por PMs da Rota, de uma reunião dos agentes com o promotor, vendida posteriormente a Tuta. Coutinho nega as acusações.
Novo número 1 da Rota é sócio e tem parentes em empresas de segurança e tecnologia
Oficial substitui Vergílio Corrêa Mariano no principal batalhão de elite da Polícia Militar paulista









