Após o resultado divulgado pelo IBGE, nesta quarta-feira (3), mostrando crescimento de 0,7% da produção industrial brasileira em abril ante março, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revisou para cima a estimativa de expansão da atividade industrial brasileira em 2026, embora o dado tenha vindo em linha com o que a equipe econômica já esperava. A projeção subiu de 0,9% para 1,4% este ano. Apesar da revisão altista, o cenário não é totalmente positivo, pois a entidade observa que o crescimento está sendo puxado pela indústria extrativa, mais voltada para commodities, enquanto a indústria de transformação, de maior valor agregado e que costuma oferecer os empregos melhores, tende a enfrentar mais dificuldades ao longo de 2026 por causa da taxa de juros elevada, atualmente em 14,5% ao ano, e pressão de custos. “A indústria extrativa deve liderar o resultado, com expansão estimada de 6,9% no ano, ao passo que a indústria de transformação tende a apresentar estabilidade, após queda de 0,2% em 2025. Entre os vetores de alta, destacam-se a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para salários até R$ 5 mil, que estimula o consumo, os programas Move Aplicativos, Move Brasil e Reforma Casa Brasil, o fortalecimento do Minha Casa Minha Vida e a continuidade dos investimentos públicos subnacionais, especialmente dos Estados, em ano eleitoral”, avalia a Fiesp. Em relação ao resultado mensal de abril ante março, a entidade destacou que 14 dos 25 ramos pesquisados apresentaram crescimento no mês. Conforme aponta a Fiesp, as principais influências positivas foram indústrias extrativas, com alta 3,1%, e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com alta também de 3,1%. Entre os onze ramos em queda, a de produtos químicos, que caiu 3,9%, exerceu a principal influência negativa. Já entre grandes categorias econômicas, bens intermediários, que se expandiu 1,5%, e bens de capital, que subiram 0,1%, registraram avanço neste mês. Por outro lado, bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e bens de consumo duráveis (-3,2%) assinalaram os resultados negativos, na comparação com o mês anterior.