O Brasil registrou crescimento de 1,1% no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado confirmou a mediana das projeções de mercado e representou aceleração significativa ante a alta de 0,3% registrada no quarto trimestre de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB expandiu 1,8%, consolidando uma trajetória de crescimento moderado. O problema está na qualidade desse crescimento – e ela é preocupante.
O principal motor da expansão foi o consumo das famílias, que avançou 1% no trimestre, superando a expectativa de 0,9%. Na comparação anual, a expansão chegou a 1,7%. O dado reforça o padrão que marca a economia brasileira há décadas: crescer pela demanda, não pela oferta. Mercado de trabalho aquecido, expansão do crédito e transferências governamentais sustentam o consumo no curto prazo, mas esse modelo tem limites conhecidos e custos elevados.
Crescer puxado pelo consumo sem contrapartida equivalente em investimento é a receita clássica para dois problemas simultâneos, inflação e déficit externo. Quando a demanda doméstica se expande mais rapidamente do que a capacidade produtiva do País, os preços sobem. A economia não consegue atender ao aumento do consumo com produção local suficiente e parte da demanda escapa para o exterior via importações. Não por acaso, as importações surpreenderam negativamente neste trimestre ao avançarem 4,4%, muito acima da projeção de 1,4%, enquanto as exportações recuaram 1,7%. O setor externo virou detrator do crescimento justamente porque a estrutura produtiva doméstica não acompanha a demanda.










