Caçadas conhecidas como grind, em território da Dinamarca, provocaram condenação internacional após relatos de sofrimento prolongado dos animais e falhas nos procedimentos Mais de 700 golfinhos foram mortos nas Ilhas Faroé — Foto: Reprodução/Sea Shepherd RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 06:41 Tradição viking nas Ilhas Faroé causa morte de 700 golfinhos e gera críticas ambientais Mais de 700 golfinhos foram mortos em um único dia nas Ilhas Faroé, em uma tradição viking conhecida como grind, gerando críticas de ambientalistas. Realizada para consumo local, a prática é acusada de ser cruel e desnecessária. A Sea Shepherd condenou o evento, destacando falhas nos procedimentos de abate e sofrimento dos animais. A discussão sobre a tradição, que mata mais de mil cetáceos por ano, ganha atenção internacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais de 700 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram mortos em um único dia nas Ilhas Faroé, território autônomo da Dinamarca localizado no Atlântico Norte, em um dos maiores episódios de caça a cetáceos já registrados no arquipélago. Ao todo, 706 animais foram abatidos na quarta-feira (27) durante três operações distintas, número que supera dois terços de todos os mamíferos marinhos mortos na região ao longo do ano passado. A maior das caçadas ocorreu em Tórshavn, capital do território, onde 406 golfinhos foram mortos. O que é o "grind" e por que a prática gera polêmica As mortes ocorreram durante o chamado grindadrap, ou simplesmente grind, uma tradição que remonta ao período viking. Nela, grupos de baleias-piloto e golfinhos são cercados por embarcações e conduzidos para águas rasas, onde são abatidos para consumo da carne e da gordura pelos moradores locais. As autoridades feroesas defendem a atividade como parte da identidade cultural da população e argumentam que ela fornece alimento para as comunidades. Ambientalistas, porém, classificam a prática como cruel e desnecessária, especialmente diante das imagens recorrentes de praias tingidas de vermelho pelo sangue dos animais. A controvérsia deste ano foi ampliada por relatos de falhas nos procedimentos de abate. Segundo observadores presentes no local, havia escassez de lanças espinhais, equipamento exigido pela legislação local para reduzir o sofrimento dos animais durante a morte. Na ausência do instrumento, vários golfinhos teriam sido mortos apenas com facas. Testemunhas relataram ainda cenas de sofrimento prolongado, com animais esmagados contra rochas, atingidos por hélices de barcos e atropelados por embarcações durante a operação. Três caçadas de golfinhos, conhecidas localmente como "grind", ocorreram nas ilhas localizadas a apenas 320 quilômetros ao norte da Escócia — Foto: Reprodução/Sea Shepherd A organização ambientalista global Sea Shepherd, que mantinha observadores nas ilhas, condenou duramente as caçadas. Dois integrantes da entidade foram presos após denúncias de baleeiros que os acusaram de interferir nas operações. A organização afirma que os ativistas apenas registravam os acontecimentos e agora eles podem ser deportados. A Sea Shepherd também denunciou a realização de uma terceira caçada que, segundo a entidade, teria sido deliberadamente mantida fora dos canais públicos de informação. — Os eventos que se desenrolaram esta semana não são uma tradição cultural em exibição. São cenas caóticas de extrema crueldade contra animais — afirmou Valentina Crast, diretora de campanhas da Sea Shepherd para as Ilhas Faroé. A organização pediu que governos europeus adotem medidas para proibir definitivamente as caçadas. A discussão sobre o grind ocorre há décadas e costuma ganhar repercussão internacional todos os anos. Embora não existam cotas oficiais para o número de animais abatidos, estimativas apontam que mais de mil cetáceos são mortos anualmente no arquipélago. Em 2025, foram registrados 814 abates de baleias-piloto-de-aleta-longa e golfinhos-de-laterais-brancas. Cientistas destacam que esses animais exercem papel importante nos ecossistemas marinhos e apresentam ciclos reprodutivos lentos, com as fêmeas dando à luz, em geral, a apenas um filhote a cada três a seis anos.