Terceiro álbum da cantora, 'You seem pretty sad for a girl so in love', será lançado dia 12, com referências a The Cure, Annie Ernaux e 'Sex and the City' A cantora Olivia Rodrigo — Foto: Caroline Tompkins/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O terceiro álbum da cantora, previsto para junho, adota uma sonoridade new wave dos anos 80. O trabalho é inspirado em bandas como The Cure. A artista revela que sua infância solitária e educada em casa impulsionou a composição. Para ela, a música funciona como uma ferramenta de autodescoberta. Olivia também aborda o escrutínio público sobre suas roupas e posicionamentos políticos. Ela defende a liberdade artística e expressa preocupação com causas sociais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Olivia Rodrigo foi a primeira revelação pop desta década, uma ex-estrela do Disney Channel que estabeleceu um novo modelo para composições confessionais em grande escala. Em sucessos com bilhões de reproduções como "Drivers license" e "Good 4 U", Olivia, agora com 23 anos, construiu uma carreira com base em dois impulsos musicais complementares: baladas poderosas e ferozes e pop-punk igualmente feroz. Em seus dois primeiros álbuns, “Sour” e “Guts”, suas músicas tinham alvos; a fúria que ela canalizava atingia uma frequência que ativava uma legião de fãs formada por jovens mulheres. Agora, após o que Olivia chama de seu primeiro "relacionamento de gente grande", o terceiro álbum da cantora e compositora, "You seem pretty sad for a girl so in love", com lançamento previsto para 12 de junho, dá um passo atrás para depois se aprofundar. Ao longo de 13 músicas, a cantora avalia um relacionamento fadado ao fracasso do início ao fim, com detalhes em tempo real: a emoção crua de uma nova conexão (o single "Drop dead", que estreou em 1º lugar em abril ), o abandono de se apaixonar perdidamente ("stupid song", "u + me = <3"), as insatisfações inexplicáveis ("Maggots for brains", "My way"), as constatações angustiantes ("Begged"), a aceitação do fim ("Cigarette smoke"). Inicialmente, ela esperava escrever sobre a recém-descoberta satisfação de uma forma que não fosse entediante. "Essa foi uma tarefa assustadora para mim", disse Olivia Rodrigo ao Popcast, programa de cultura pop do The New York Times, em sua primeira entrevista detalhada sobre o álbum. Como "alguém que era muito conhecida por escrever músicas sobre términos de relacionamento e por estar com raiva e triste, queria provar para mim mesma que não precisava estar infeliz para escrever uma música de que eu gostasse". Por volta da metade do processo de composição do álbum, sua história pessoal tomou um rumo diferente (em dezembro de 2025, a cantora terminou o relacionamento de dois anos com o ator Louis Partridge). Trabalhando em seu terceiro LP consecutivo com Dan Nigro, produtor e colaborador na composição, Olivia voltou a contar uma história mais verdadeira: "Depois de escrever músicas sobre términos de relacionamento, tivemos o desafio divertido de revisitar e aprimorar algumas das canções de amor do disco, tornando-as um pouco mais honestas, tristes e até um pouco assustadoras." A cantora citou tanto o livro "Paixão simples", da francesa Annie Ernaux, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, quanto a série “Sex and the City” — especificamente o relacionamento entre Miranda (Cynthia Nixon) e Steve (David Eigenberg) — como referências. "Eu me inspirei muito em todas as maneiras pelas quais o amor pode nos enlouquecer e nos deixar infelizes", disse ela. Para combinar com esse sentimento, ela optou por uma paleta sonora new wave dos anos 80, que tem uma gama mais vibrante e complexa do que o rock pesado que ela vinha fazendo até então. Em conversa com Jon Caramanica e Joe Coscarelli, no Popcast, Olivia Rodrigo discutiu as diversas maneiras pelas quais seu processo criativo se cruza com o ruído extracurricular do estrelato pop, seja lidando com dramas de relacionamento; acusações de plágio de aspectos de composição de Taylor Swift, sua antiga ídolo; críticas por sua forma de se vestir; ou sua disposição em se manifestar sobre causas políticas e sociais, de uma maneira que muitos de seus colegas não fazem. Caramanica: Este álbum me parece uma mini-narrativa cronológica e estruturada. Você está escrevendo essas coisas em tempo real, enquanto as experiências acontecem? É assim que você aplica a criatividade a uma experiência vivida? Na maior parte, é cronológico e na ordem em que os eventos aconteceram na minha vida, e é a primeira vez que isso acontece. Escrevo músicas para processar meus sentimentos, então todo dia quando chego e me sento ao piano ou vou para o estúdio, penso: "O que está me consumindo por dentro e preciso dizer agora?" Coscarelli: Quando você percebeu que seria um término? Sempre tive curiosidade em explorar esses sentimentos mais depressivos nessas canções de amor. Acho que inicialmente pensei que o disco seria só isso, canções de amor, mas tentando injetar um pouco de tristeza nelas. E aí, obviamente, a tristeza, de uma forma mais real ou completa, acabou se infiltrando no final. Coscarelli: Você fala sobre a natureza desestabilizadora do amor e mencionou 'Sex and the City' em relação ao álbum. Há uma música, 'Maggots for brains', que me fez pensar: 'Essa é uma música muito Miranda'. Sim, é da cena em que a Miranda está reatando com o Steve e diz: "Sempre que algo engraçado acontecer, quero te contar", e é um dos versos da segunda estrofe. Essa é uma das minhas músicas favoritas do álbum. Acho que quando a gravamos, sonoramente, eu pensei: "Ah, é isso aí, perfeito". Eu amo rock e tenho um grande respeito por esse gênero, é praticamente tudo o que eu ouço. Mas acho que, no começo, não me empolgava muito — o rock no sentido tradicional, com acordes potentes e distorção. Uma música assim me parece alternativa, sem ser como "I love Rock 'n' Roll" da Joan Jett. Era algo mais sutil, e isso me empolgou mais do que compor um hit explosivo. Caramanica: Há certos momentos neste álbum que realmente remetem ao mundo de 1982 a 1985. Percebemos The Cure, talvez um pouco de Talking Heads, Devo. O que esse som e estilo representam para você, que o pop-punk com o qual vinha trabalhando antes não representava? Havia algo na contenção da música que me agradava. Eu estava realmente obcecada por esse tipo de música enquanto a compunha. Toquei no Glastonbury com o Robert Smith (vocalista do The Cure), o que foi incrível. E eu sempre fui fã do grupo, mas depois de conhecê-lo e passar um tempo com ele, voltei a ouvir todas aquelas bandas new wave. Eu morava na Inglaterra na época, então, obviamente, você acaba se inspirando muito em bandas inglesas. Para mim, na composição, o sentimento sempre vem em primeiro lugar. Então eu sabia que queria escrever músicas sobre como é estar apaixonado. E o amor me parece assim, essa vibração, a intensidade emocional. A cantora Olivia Rodrigo — Foto: Caroline Tompkins/The New York Times Coscarelli: Você também usou um truque inteligente ao conectar a new wave dos anos 1980 com músicas influenciadas pelo movimento. Há um pouco de No Doubt em 'My way' e algumas músicas soam como Le Tigre em vez de Bikini Kill. Caramanica: Kathleen Hanna (vocalista do grupo punk feminista Bikini Kill e da banda de electropunk Le Tigre) é uma grande fã da Olivia. Eu amo Katheleen Hanna (sussurrando exageradamente). Coscarelli: O The Cure, que abrange essas duas eras, é um fio condutor no álbum. Você faz alusão a 'Just like Heaven' no single 'Drop dead', a primeira música (do disco). Depois, há uma música chamada 'The Cure'. O que essa música significa para a história do álbum? Essa música é a tese do álbum. Lembro de tê-la feito e me sentido muito empolgada, tipo: "OK, agora sei o que estou tentando dizer". Acho que, por muito tempo, quando era mais jovem, sempre buscava algo. Tipo, "Ah, se eu tiver isso na minha carreira, serei mais feliz"; "Se eu tiver esse cara e ele me amar do jeito que sempre achei que me amaria, me sentirei melhor comigo mesmo". E, aos poucos, ao longo da minha vida e desse relacionamento do qual estou falando, percebi que os problemas que você tem não serão resolvidos por outra pessoa. Também acho que se apaixonar, na verdade, torna essas questões ainda mais claras para você. Você se conhece profundamente e intimamente ao se apaixonar por alguém, sendo autêntico, imperfeito e cometendo erros. E eu também estava descobrindo isso. Estava em um relacionamento que era realmente íntimo pela primeira vez e pensava: "Nossa, isso está me mostrando um espelho e estou vendo coisas que não gosto em mim". Essa foi uma constatação difícil, e acho que isso está presente em "The Cure". Acho que esse é o ápice do álbum. Em todas as canções de amor que a antecedem, há um toque de insatisfação, e, quando chega a "The Cure", toda a artificialidade desaparece. Coscarelli: Como você avalia 'Guts', seu segundo álbum? Me chamou a atenção o fato de que este álbum, ainda menos que os dois anteriores, não dá a impressão de que você estava necessariamente buscando hits estrondosos. Parece que você queria fazer um álbum com 'A' maiúsculo, com começo, meio e fim. Me pergunto se isso teve alguma influência no resultado de 'Guts'. Olhando para trás, tenho muita compaixão por mim mesma. "Sour" foi uma loucura. Na época, eu não percebia o quão louco era. E eu tinha 17 anos quando tudo aconteceu. Então, tenho muita compaixão por mim mesmo. Foi muita pressão. Acho que, ao lançar "Guts", eu me sentia um pouco como, meu Deus, nunca vou fazer nada tão grande e tão bom quanto "Sour" e blá blá blá. Mas, olhando para trás, estou muito orgulhosa de muitas daquelas músicas. Acho que "All-American bitch" é a música favorita que já escrevi. "Bad idea", lembro de ter pensado na época, nossa, é muito estranha. E amo muito essa música agora. Ter um pouco de espaço muda completamente a sua perspectiva sobre ela. Estou muito orgulhosa dos dois álbuns. Acho que nunca vou me arrepender de escrever honestamente sobre onde estou na minha vida. Caramanica: Qual foi a coisa mais difícil que aconteceu na sua vida pessoal e que sua carreira te impediu de lidar adequadamente? Tive uma vida muito privilegiada. Não me aconteceu nada realmente terrível. Não estou me lamentando, mas acho que me sinto muito triste por não ter tido uma infância de verdade. Caramanica: Bem, isso é algo muito grande. Está tudo bem, estava tudo bem. Estou totalmente bem, mas sim, é um pouco triste. Isso se revela de certas maneiras ao longo do tempo, com tipos de interações, tipos de relacionamentos. É uma espécie de jogo de forças, tipo, eu vivo uma das vidas mais incríveis, viajo pelo mundo e tenho todas essas experiências incríveis, mas eu não tinha um bom grupo de amigos no ensino médio. Caramanica: Foi difícil fazer amizades? Muito difícil. Tenho um grupo maravilhoso de amigos agora, pelo qual sou muito grata, mas sinto que estou muito à frente em certas áreas da minha vida e, ao mesmo tempo, talvez um pouco atrasada em algumas áreas sociais. Como fui filha única e educada em casa, tive uma infância muito solitária e acho que é por isso que escrevi tantas músicas também. Isso me fazia sentir menos sozinha e mais compreendida. Coscarelli: Você tem sido muito aberta sobre suas influências, sobre as pessoas que são seus heróis e sobre o que você está tentando alcançar. Nem todos os artistas são assim, algumas pessoas são muito reservadas em relação a dar crédito ou citar influências. Mas isso já se voltou contra você algumas vezes, em termos de créditos de composição ou capas de álbuns, com pessoas tentando apontar que você se apropriou demais de outras pessoas. Como você superou o que presumo terem sido momentos bastante difíceis, com sua visão criativa sendo questionada? Sim, foi uma época muito difícil para mim, pessoalmente, mas sei lá, sou fã, amo música e ninguém pode tirar isso de mim. Parece clichê, mas eu amo música e me sinto muito sortuda por poder fazer o que faço. Amo tantas músicas e cresci cercada por músicas e bandas incríveis. Eu continuaria compondo mesmo se ninguém me ouvisse e todos odiassem, porque é o que eu amo fazer. Caramanica: Recentemente você esteve em um show do Paul McCartney em Los Angeles. Há muita especulação pública sobre seu relacionamento com Taylor Swift. Nas fotos (desse show), vocês duas aparecem entrando juntos, e aí tem gente na internet perguntando: 'Eles estão de frente uma para outra? De costas uma para a outra?". Como você lida com esse nível de escrutínio? Sei lá, realmente não dou muita importância a isso. Acho que se eu me aprofundasse em cada detetive da internet que acertou ou errou sobre a minha vida ou qualquer um dos meus relacionamentos, eu simplesmente enlouqueceria. Não há tempo suficiente no dia. Caramanica: Existe algum atrito entre você e Taylor? Como você vê isso agora, alguns anos depois do rompimento inicial? Não sei, acho que tento não deixar isso me afetar ou me chatear. Só tento seguir em frente. Já faz tanto tempo, não adianta ficar remoendo. Só tento fazer músicas que eu ame e tento ser gentil e boa com as outras pessoas. No fim das contas, acho que é tudo o que você pode fazer. Coscarelli: Outra coisa que você tem provocado, trazendo de volta uma conversa de 20, 25 anos atrás, é a ideia do vestido de boneca (usado em sua apresentação no Spotify Billions Club) e o que ele significa para o movimento riot grrrl (de bandas como Bikini Kill) e o que significa se vestir de forma subversiva, em contraste com outras pessoas que dizem que isso é infantilizante. Isso tem me deixado muito chateada. O que é realmente perturbador é que eu sinto que já usei roupas reveladoras no palco, já me apresentei com um sutiã brilhante e um shortinho. Me senti bem e confortável com isso, e não foi inapropriado, mas eu completamente coberta por um vestido que as pessoas consideram infantil foi inapropriado. Acho que isso só mostra como normalizamos a pedofilia na nossa cultura. É essa retórica que nos é imposta desde pequenas, tipo, não use isso porque um homem vai sexualizar seu corpo e a culpa é sua. Eu não me achava sexy com aquela roupa. Eu pensava: "Que legal!". Me sentia como a Kathleen Hanna ou a Courtney Love, todas essas pessoas que são minhas heroínas. E me sentia bem e confortável com ela. Acho que se começarmos a nos vestir de um jeito que pense "Ah, não quero que algum tarado pense que sou sexy como um bebê", ou algo do tipo, acho que vamos estar perdendo o rumo. Sou muito protetora com as mulheres e meninas mais jovens e não quero que elas sejam expostas a esse tipo de discurso. Você não deve ser responsabilizada por algum cara te sexualizar de uma forma que nunca foi sua intenção. Coscarelli: Falando sobre esse público e a plataforma que você tem, acho que uma coisa que diferencia sua geração de estrelas pop das gerações imediatamente anteriores é a sua naturalidade em se posicionar politicamente e usar esse espaço para falar com fãs jovens. Você se manifestou de forma memorável quando Roe v. Wade foi revogada (precedente jurídico americano sobre o aborto), desde então se posicionou contra o uso da sua música pelo governo Trump, falou sobre o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e sobre Gaza. Você já recebeu alguma pressão nos bastidores dizendo que isso representa um risco para a sua carreira? Sinceramente, sinto que estou rodeado de pessoas com a mesma mentalidade, e aprecio muito isso. Ninguém nunca me disse: "Não faça isso". Tento me manter informada, mas não sei tudo. Sou artista, e o que faço no meu trabalho é expressar meus sentimentos e apresentá-los às pessoas.Acho que seria hipócrita dizer que não me sinto de coração partido pelo que está acontecendo em Gaza. Entende o que quero dizer? Sempre sinto que poderia fazer e dizer mais.
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