Em linhas gerais, existem apenas duas maneiras de mudar o comportamento de alguém. Ou você o convence, com palavras ou dinheiro, ou aponta uma arma para sua cabeça. Não há uma terceira via.
Pense nisso na próxima vez que você quiser aprovar mais uma lei de coerção às pessoas, apoiada pelas armas do Estado.
O problema é que apontar armas para cabeças é mais fácil. Luís 14 não precisou convencer seus súditos, nem ninguém. Ele carregou em todos os seus canhões a "Ultima ratio regum", "o último argumento dos reis". É mais fácil.
No entanto, a facilidade corrompe quem detém a arma. Em 1887, Lorde Acton (1834-1902), um historiador britânico católico notavelmente liberal, escreveu uma carta a um bispo americano argumentando contra a infalibilidade papal. Ele escreveu: "O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente".Isso se vê diariamente. Em ambos os nossos países, a história vergonhosa da escravidão o comprova. Escravagistas como o norte-americano Thomas Jefferson se consideravam bons senhores. Mas o domínio físico sobre qualquer pessoa corrompe. O trabalho dos 200 escravos de Tom, alguns deles seus próprios filhos, abastecia seus vinhos franceses e seus excelentes livros sobre filosofia liberal. Tom conseguiu pôr de lado a ideia de que "todos os homens são criados iguais".






