Imagens de câmera corporal mostram jovem de 18 anos pedindo ajuda após ser esfaqueado; agressor mentiu à polícia e alegou falsamente ter sido vítima de insultos raciais Manifestantes se aglomeram na estrada perto da delegacia de polícia de Portswood, após uma marcha de protesto em Southampton, sul da Inglaterra, em 2 de junho de 2026, realizada em reação à forma como a Polícia lidou com a detenção da vítima Henry Nowak, após a condenação de seu assassino Vickrum Digwa — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 17:54 Prisão injusta de estudante esfaqueado gera protestos no Reino Unido Imagens divulgadas no Reino Unido mostram policiais algemando o estudante Henry Nowak, que dizia "não consigo respirar", após ser esfaqueado. O agressor, Vickrum Digwa, mentiu à polícia sobre insultos raciais, levando à prisão incorreta de Nowak, que faleceu. A situação gerou protestos e críticas à polícia por suposto tratamento desigual. O caso está sob investigação do IOPC. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Imagens de câmera corporal, divulgadas nesta terça-feira, provocaram indignação no Reino Unido ao mostrar um estudante gravemente ferido sendo algemado por policiais momentos depois de ser esfaqueado e antes de morrer. Henry Nowak, de 18 anos, foi acusado falsamente pelo agressor de ter feito insultos racistas. Nas gravações, o jovem aparece repetidamente dizendo aos policiais: "Não consigo respirar", enquanto estava caído no chão após ter sido esfaqueado em dezembro, depois de uma saída noturna com integrantes de seu time de futebol. Esta captura de tela do vídeo da câmera corporal feita em 3 de dezembro de 2025 e divulgada pela Polícia de Hampshire e Ilha de Wight à AFP, em 2 de junho de 2026, mostra o estudante Henry Nowak, de 18 anos, sendo algemado pela polícia antes de sua morte, após uma falsa alegação de abuso racial, em Southampton, sul da Inglaterra — Foto: HAMPSHIRE & ISLE OF WIGHT CONSTABULARY / AFP Figuras da extrema direita aproveitaram o caso para criticar a atuação da polícia. O ativista Tommy Robinson discursou em um protesto na cidade de Southampton, no sul da Inglaterra, onde o crime ocorreu, afirmando que britânicos brancos são tratados como "cidadãos de segunda classe" pelas autoridades. Na segunda-feira, a Justiça condenou o assassino Vickrum Digwa, de 23 anos, a uma pena que prevê ao menos 21 anos de prisão antes de qualquer possibilidade de liberdade condicional, por matar Nowak com uma faca cerimonial de 21 centímetros de lâmina. Quando os policiais chegaram ao local, Digwa mentiu para os agentes, alegando que havia sido vítima de insultos raciais por parte de Nowak e que ele próprio era a vítima da situação. As imagens, exibidas durante o julgamento, mostram os policiais inicialmente aceitando a versão apresentada pelo agressor. Em vez de prestar socorro imediato a Nowak, os agentes o algemaram, apesar de seus apelos de que havia sido esfaqueado e não conseguia respirar. Em determinado momento, um policial pergunta ao estudante onde ele teria sido esfaqueado e, em seguida, responde: "Acho que não foi, amigo". Pouco depois, o jovem desmaia e perde a consciência. Após a sentença, o pai da vítima, Mark Nowak, classificou a atuação policial como "chocante". Ele afirmou que o tratamento dado ao filho foi "desumano e degradante". — Seu assassino, no entanto, recebeu dignidade. Acreditaram nele — declarou. A família autorizou a divulgação das imagens. A corporação policial encaminhou o caso ao Escritório Independente de Conduta Policial (IOPC, na sigla em inglês), órgão responsável por fiscalizar a atuação das forças de segurança. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, descreveu as imagens como "angustiantes" e afirmou que a investigação do IOPC é "absolutamente correta", acrescentando que existem "questões sérias que a polícia precisa responder". Já a ministra do Interior, Shabana Mahmood, pediu que o assassinato não seja usado para "colocar comunidades umas contra as outras". — Devemos condenar aqueles que buscam obter ganhos políticos pessoais a partir de uma tragédia — afirmou no Parlamento. A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, e o líder do partido de extrema direita Reform UK, Nigel Farage, defenderam mudanças nas políticas de diversidade das forças policiais. Farage afirmou que o país vive uma "cultura de dois níveis", na qual "os direitos e privilégios dos brancos importam menos do que os das minorias étnicas". Badenoch criticou Farage por "aprofundar divisões", mas também atacou o que chamou de "policiamento de dois níveis", alegando que agentes tratariam minorias étnicas de forma mais branda. Protesto em Southampton Manifestantes participam de um protesto contra a forma como a Polícia lidou com a detenção da vítima Henry Nowak, em Southampton, sul de Inglaterra, em 2 de junho de 2026, após a condenação do seu assassino, Vickrum Digwa — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP Na noite de terça-feira (horário local), mais de mil manifestantes se reuniram em frente à principal delegacia de Southampton, gritando palavras de ordem como "escória de dois níveis" e "vergonha para vocês", enquanto agitavam bandeiras do Reino Unido e da Inglaterra, segundo jornalistas da AFP. Durante o ato, Robinson afirmou que, "se Henry não fosse branco, não teria sido algemado" e que os brancos são tratados como "cidadãos de segunda classe por sua própria força policial". Protestantes também arremessaram garrafas e lixeiras contra policiais durante a manifestação. A multidão marchou em direção ao local onde ocorreu o homicídio e, em seguida, atacou policiais que bloqueavam uma via. Manifestantes perseguem policiais com lixeiras sobre rodas perto da Delegacia de Portswood, após uma marcha de protesto em Southampton, no sul da Inglaterra, em 2 de junho de 2026 — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP O bilionário americano Elon Musk publicou na rede X uma oferta para financiar uma ação judicial privada contra a polícia por sua condução do caso. Novas acusações contra a família do agressor Nesta terça-feira, Digwa voltou a comparecer ao tribunal ao lado do irmão, Gurpreet Digwa, de 27 anos, e do pai, Moga Singh, de 52 anos, para responder a acusações relacionadas à posse de armas. Os três são acusados de possuir armas proibidas, incluindo canivetes automáticos, cassetetes retráteis, soqueiras, facões e espadas. O irmão e o pai receberam liberdade sob fiança até a próxima audiência, marcada para julho. A família de Digwa pediu desculpas aos parentes de Nowak pelo assassinato e por ter lançado a comunidade sikh em "descrédito". A mãe do condenado, Kiran Kaur, de 53 anos, será sentenciada em 17 de julho por ajudar o filho após o crime, ao levar a faca utilizada no assassinato de volta para a residência da família.
'Não consigo respirar': Vídeo mostra policiais algemando estudante esfaqueado antes de morrer e provoca revolta no Reino Unido
Imagens de câmera corporal mostram jovem de 18 anos pedindo ajuda após ser esfaqueado; agressor mentiu à polícia e alegou falsamente ter sido vítima de insultos raciais
Henry Nowak, 18 anos, morreu após policiais acreditarem no agressor mentiroso, prendendo a vítima sem socorro apesar de gritar "não consigo respirar". Expõe falhas de governance quando credibilidade é atribuída sem verificação: decisões críticas podem ter consequências letais.










