A agência da ONU para refugiados (Acnur) alertou nesta terça-feira (2) que a redução dos recursos humanitários pode agravar significativamente as condições de vida de cerca de 1,2 milhão de refugiados rohingyas em Bangladesh. O aviso se dá quase nove anos após a fuga em massa de Mianmar e enquanto organizações de ajuda enfrentam dificuldades para manter serviços essenciais. Com a multiplicação de crises globais e o aperto nos orçamentos de doadores, as Nações Unidas e seus parceiros encontram cada vez mais dificuldades para sustentar o apoio a uma das maiores populações refugiadas do mundo. A pressão aumentou com a chegada de cerca de 150 mil rohingyas desde o início de 2024, fugindo da nova onda de violência em Mianmar, informou a Acnur. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e alguns países europeus reduziram o financiamento destinado à ajuda internacional nos últimos anos. No mês passado, a ONU e o governo de Bangladesh lançaram um apelo de US$ 710,5 milhões para financiar alimentação, abrigo, assistência médica, educação e serviços de proteção. O valor solicitado já é 26% inferior ao do ano passado e, até agora, apenas cerca de 60% dos recursos necessários foram garantidos, evidenciando a crescente pressão financeira. A mobilização ocorre às vésperas do nono aniversário da ofensiva militar lançada em agosto de 2017 pelo Exército de Mianmar no Estado de Rakhine, que forçou cerca de 750 mil rohingyas a buscar refúgio em Bangladesh, país de maioria muçulmana. “Por décadas, o povo rohingya foi expulso de suas casas no Estado de Rakhine, em Mianmar, e Bangladesh tem oferecido proteção a sucessivas ondas de refugiados desde o fim da década de 1970”, afirmou o porta-voz do Acnur, Babar Baloch. A vida nos campos de refugiados continua marcada por dificuldades. Superlotados e vulneráveis, os assentamentos enfrentam ameaças constantes de eventos climáticos extremos, doenças e insegurança, enquanto o acesso limitado a serviços básicos agrava a situação. Com poucas oportunidades de educação e trabalho, os refugiados permanecem amplamente dependentes da ajuda humanitária. Os recentes cortes nas rações alimentares aumentaram as dificuldades, especialmente para grupos mais vulneráveis, como mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Enquanto o conflito em Mianmar continua, as perspectivas de retorno seguro permanecem remotas. O crescente desespero tem levado muitos rohingyas a tentar travessias marítimas perigosas rumo à Malásia ou à Indonésia. Em 2025, quase 900 pessoas foram dadas como mortas ou desaparecidas nessas viagens, o maior número já registrado. “Só queremos que o mundo não esqueça que continuamos vivendo esse sofrimento, dia após dia, ano após ano. Não vemos um futuro claro aqui nem uma forma de voltar para casa”, disse Mohammed Jashim, refugiado de 35 anos e pai de três filhos que vive em um dos campos de Bangladesh. A Acnur pediu aos países doadores que continuem financiando a assistência aos refugiados rohingyas até que seja possível organizar um retorno seguro a Mianmar.
ONU alerta que cortes de financiamento podem agravar crise dos rohingyas em Bangladesh
Aviso se dá quase nove anos após a fuga em massa de Mianmar e enquanto organizações de ajuda enfrentam dificuldades para manter serviços essenciais
ONU alerta que cortes de financiamento — apenas 60% dos $710,5M — agravam crise de 1,2M rohingyas em Bangladesh com 150mil novos refugiados desde 2024. Escassez de recursos evidencia fragilidade de respostas humanitárias prolongadas ante múltiplas crises globais.







