O caso de alegadas torturas e violações em esquadras da PSP em Lisboa estará mais relacionado com a falta de valores familiares, do que com a juventude dos agentes envolvidos, disse esta terça-feira um oficial da PSP.Na resposta a uma pergunta da assistência, formulada por um guarda da GNR, durante o seminário "Direitos Humanos e Forças de Segurança: Confiança no Dever de Respeitar e Proteger", que decorreu na Figueira da Foz, o director do Departamento de Formação da PSP, Nuno Poiares, abordou o caso da esquadra do Rato, em que vários polícias são suspeitos da prática de crimes de tortura, ofensas à integridade física e abuso de poder."Eu não colocaria o acento tónico na questão da idade, mas sim naquilo que tem a ver com o berço. A educação que as pessoas trazem de casa, os valores que as pessoas ganham, ou não ganham, nas famílias", afirmou o superintendente da PSP."Esse é que é um dos grandes desafios das nossas instituições. Como é que conseguimos suprir, mitigar, essas insuficiências que os nossos jovens trazem das famílias. E penso que esse é, de facto, o grande desafio das nossas escolas [da PSP e da GNR], não só ao nível da formação inicial, mas depois ao longo da formação contínua. E depois há aqui outra dimensão que é o escrutínio, a supervisão, a acção de comando, que também, porventura, não terá funcionado, e que, nestes casos, é essencial", argumentou.Em declarações à agência Lusa, à margem da sessão, Nuno Poiares admitiu que apesar da forte triagem que existe entre os candidatos a agentes da PSP, é impossível garantir que casos contrários à lei e aos direitos humanos não possam existir. "Neste momento, em média, só 15% dos candidatos entram para o curso de formação de agentes. E dos 15% que entram, entre 8% a 10% não acabam o curso", indicou.