Vista aérea do cais e do pátio de contêineres do Porto do Rio — Foto: Brenno Carvalho RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 13:26 Empresas brasileiras prontas para enfrentar nova tarifa dos EUA Empresas brasileiras estão melhor preparadas para enfrentar a nova tarifa de 25% dos EUA, segundo a economista Lia Valls. Após o choque do tarifaço de 2025, exportadores diversificaram mercados e negociaram com compradores americanos. A tarifa sobre etanol é vista como negociável, enquanto questões como desmatamento e propriedade intelectual podem ser usadas como argumentos. A decisão final sobre a Seção 301 cabe ao presidente dos EUA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A nova ameaça de tarifa sobre produtos brasileiros — desta vez de 25%, sob a alegação de práticas comerciais desleais — encontrará os exportadores brasileiros mais bem preparados do que em abril de 2025, quando foram surpreendidos pelo tarifaço de Donald Trump. A economista Lia Valls, pesquisadora da FGV e professora da Uerj, diz que as companhias fizeram o dever de casa, negociaram com compradores americanos e diversificaram seus mercados de exportação. Além disso, ainda há um mês para tentar negociar com os Estados Unidos tarifas menores, cotas ou outras alternativas. A questão, destaca Lia, é identificar o que efetivamente pode ser negociado. Ela avalia que a tarifa sobre o etanol, por exemplo, pode ser objeto de negociação, com maior reciprocidade em relação à taxação americana sobre o combustível brasileiro, que, antes das sobretaxas, era de fato inferior à aplicada pelo Brasil. Sobre o desmatamento, o país tem bons números para apresentar e uma política consistente de combate que pode ser usada como argumento, ressalta. Em relação à propriedade intelectual, a professora afirma que o Brasil poderia se comprometer a ampliar a fiscalização. Mas a partir desse ponto, há pouco espaço para negociação por parte do governo, pontua: — O USTR (departamento de comércio americano) alega questões de corrupção e cita a Lava-Jato, mas essa é uma questão do Judiciário, não tem relação com o governo federal. Em relação aos acordos com México e Índia, parece uma alegação de quem está mal informado. Com a Índia, o comércio é pequeno, envolvendo pouco mais de 400 produtos. Em relação ao México, o acordo é automotivo; a maior parte das exportações é feita por montadoras americanas instaladas no Brasil. As plataformas digitais, outro ponto crítico, também envolvem questões legislativas. Já o Pix não tem chance de ser suspenso ou taxado pelo governo. O que poderia ser trabalhado, em caso de preocupação com lavagem de dinheiro, seria mostrar que essa já é uma preocupação do governo e que existem planos para ampliar os mecanismos de controle — avalia Lia. A economista lembra de um ponto importante: a decisão final sobre os processos da Seção 301 cabe ao presidente dos Estados Unidos. É Donald Trump quem dará a palavra final. Nesse contexto, uma boa relação entre os presidentes dos dois países poderia abrir algum espaço para reduzir o impacto das medidas. Lia alerta, no entanto, não há chance de os exportadores brasileiros saírem incólumes desse processo. — Encerrar um processo de investigação comercial baseado na Seção 301 sem nenhuma tarifa é algo que nunca aconteceu e dificilmente acontecerá. Mas o impacto da tarifa anunciada agora pelo governo americano é bem menor do que o da medida anunciada em abril do ano passado — ressalta, lembrando que as 73 páginas do processo listam diversos produtos que não serão atingidos pela nova taxação.