A MSC, maior grupo de transporte marítimo de contêineres do mundo, informou nesta terça-feira (2) que seu navio porta-contêineres Sariska V foi atingido por dois projéteis enquanto estava atracado no porto iraquiano de Umm Qasr, na segunda-feira (1°). Segundo a empresa, todos os tripulantes estão seguros e não sofreram ferimentos. A companhia afirmou que a responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pela Guarda Revolucionária do Irã. A MSC classificou o incidente como um ataque não provocado contra uma embarcação comercial neutra, sem qualquer vínculo com os Estados Unidos ou Israel. “A MSC está profundamente preocupada com esses ataques não provocados e com os riscos que eles criam para marinheiros inocentes e para o comércio marítimo essencial na região”, afirmou o grupo em comunicado. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter atingido o navio de contêineres MSC Sariska V com um míssil de cruzeiro, segundo a mídia estatal iraniana Irna. Teerã afirmou que a ação foi uma retaliação a um suposto ataque anterior contra a embarcação iraniana Lian Star, no Mar de Omã. Já segundo a agência estatal iraniana Tasnim, a Guarda Revolucionária justificou o ataque alegando que a embarcação possui ligações com Israel. A publicação afirma que a MSC opera em Israel desde 1990, mantém escritórios em Haifa e Ashdod e movimenta mais de 600 mil contêineres por ano em portos israelenses. A Tasnim também destacou que a família Aponte, fundadora e proprietária da companhia, teria origem israelense e que Rafaella Diamant, cofundadora da empresa, nasceu em Haifa. Por isso, segundo a agência, a MSC é frequentemente descrita por alguns analistas como uma empresa “ítalo-israelense”. A agência menciona ainda uma investigação conjunta da Al Jazeera e do Movimento da Juventude Palestina, publicada em fevereiro deste ano, segundo a qual a MSC participou do transporte para os Estados Unidos de mercadorias produzidas em assentamentos israelenses na Cisjordânia. De acordo com documentos alfandegários citados pela investigação, ao menos 957 carregamentos dos assentamentos teriam sido exportados entre janeiro e novembro de 2025 para o território americano. A mídia iraniana também ressaltou que o MSC Sariska V realizou “diversas escalas” em portos americanos nos últimos anos. Segundo a Tasnim, a embarcação atracou mais de 94 vezes em “diferentes portos” nos Estados Unidos entre novembro de 2012 e janeiro de 2024, argumento utilizado por Teerã para reforçar a alegação de que o navio estaria ligado aos interesses de Israel e dos EUA.