Votação determina o nome dos dois candidatos que disputarão o governo, substituindo o democrata Gavin Newsom; apuração pode levar semanas até a definição Eleitores votam em uma seção eleitoral no Condado de Los Angeles durante a votação antecipada nas eleições primárias da Califórnia — Foto: Frederic J Brown/ AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 10:29 Primárias na Califórnia: Disputa acirrada entre democratas e republicanos A Califórnia encerra suas primárias para definir candidatos ao governo, com uma disputa acirrada entre democratas e republicanos. Xavier Becerra e Tom Steyer se destacam entre os democratas, enquanto Steve Hilton lidera entre os republicanos. A eleição é uma primária aberta, com os dois mais votados avançando. O alto custo de vida e a crise da moradia são temas centrais. Resultados podem demorar semanas devido à contagem de votos pelo correio. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As eleições primárias da Califórnia, que definem os candidatos que disputarão de fato o governo do Estado mais populoso e rico dos EUA, chegam ao fim nesta terça-feira, após um processo eleitoral com dezenas de candidatos que pretendem ocupar a vaga do democrata Gavin Newsom, apontado como um dos favoritos do partido para a corrida presidencial de 2028. Entre os principais nomes na disputa, um democrata de alto perfil, um ativista bilionário e um comentarista da rede Fox News aparecem entre os principais nomes. O processo de votação que se conclui nesta terça-feira é chamado de "primária aberta", uma votação em que os pré-candidatos não são divididos por filiação partidária, com os dois primeiros avançando para a eleição de novembro. Os votos, incluindo enviados pelo correio, começaram a ser recolhidos em maio. Cerca de 60 nomes constam na extensa cédula de votação — a maioria deles desconhecidos da maior parte da população. Pesquisas recentes mostram uma disputa acirrada entre três candidatos, liderada por Xavier Becerra, um democrata que atuou como secretário de Saúde e Serviços Humanos no governo Joe Biden e já ocupou o cargo de procurador-geral do Estado. Tom Steyer, um gestor bilionário de fundos hedge e ativista climático, também apareceu listado entre os principais democratas na disputa, após investir mais de US$ 200 milhões do próprio bolso em uma campanha alternativa que defende impostos mais altos para os ricos e tarifas de serviços públicos mais baixas para a classe média. No campo republicano, o principal candidato a despontar nas pesquisas foi Steve Hilton, um ex-estrategista político britânico e comentarista da Fox News que recebeu o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump. A maior parte de campanha do republicano foi voltada a atacar os democratas, insistindo que eles não podem resolver os problemas do Estado, porque eles mesmos — no poder há anos — os criaram. Candidato democrata Xavier Becerra aparece entre os principais concorrentes nas primárias da Califórnia — Foto: Frederic J Brown/ AFP Os democratas fizeram campanha com a promessa de combater os ataques do governo Trump às políticas liberais do estado, enquanto os republicanos prometeram trazer mudanças. Um tema central na disputa foram as dificuldades enfrentadas pelos habitantes, sobretudo o alto custo de vida. Enquanto a elite tecnológica do Vale do Silício desfruta de mansões luxuosas, os preços exorbitantes dos imóveis e a falta de novas construções residenciais deixam milhões de pessoas em dificuldades para pagar o aluguel. Contas de serviços públicos altas e a gasolina mais cara do país, somadas a impostos elevados e serviços públicos deficientes, contribuem para um sentimento geral de injustiça. Há também o problema muito visível e aparentemente insuperável da falta de moradia em grandes cidades como Los Angeles e São Francisco. Tom Steyer, bilionário e ativista financiou própria campanha ao governo da Califórnia — Foto: Patrick T Fallon/AFP Pelo sistema de primárias gerais, ambos os partidos expressaram temores de ficarem fora da disputa principal. Do lado democrata, que tem a maioria dos eleitores registrados, a preocupação era de que a divisão entre muitos candidatos pulverizasse os votos, permitindo que dois republicanos avançassem para a eleição de novembro. A campanha de Hilton, por outro lado, emitiu um alerta na semana que se os eleitores republicanos não se reunissem em torno dele, era possível que o embate final se resumisse a dois democratas. Apesar dos temores, nunca houve um enfrentamento entre dois candidatos do mesmo partido em uma disputa ao governo do Estado desde que o sistema de primárias gerais foi adotado, em 2014. É provável que os candidatos só sejam conhecidos dias ou mesmo semanas após o fechamento das urnas, uma vez que os funcionários eleitorais precisam contabilizar todos os votos, incluindo aqueles enviados por correio até a data de hoje. Los Angeles em disputa Os eleitores de Los Angeles também vão às urnas nesta terça-feira para as primárias para prefeito da cidade. A atual mandatária, Karen Bass, busca a reeleição, mas se vê pressionada entre o desafio da esquerda, liderado por um ex-aliado na administração, e o desafio da direita, representado por uma estrela de reality show combativa. Bass, ex-congressista, teve um início discreto como prefeita, mas parecia destinada à reeleição quase automática na cidade liberal. No entanto, sua gestão dos enormes incêndios florestais que devastaram a cidade em janeiro de 2025 a colocou em uma posição precária. Mais tarde, sua resposta às batidas policiais contra imigrantes acabou sendo benéfica. Pesquisas recentes indicam um empate técnico com a vereadora Nithya Raman, do Partido Socialista Democrático. Completando a lista de candidatos está Spencer Pratt, ex-participante de reality show que perdeu sua casa nos incêndios devastadores. Pratt canalizou a indignação generalizada com a lentidão da reconstrução, bem como com a deterioração das estradas de Los Angeles, a crise dos moradores de rua e de drogas. om AFP)Sua mensagem — assim como a de Hilton na corrida para governador — gira em torno da segurança pública e de uma postura rigorosa contra o crime. Se algum candidato obtiver 50% dos votos nesta eleição, será eleito diretamente. Caso contrário, os dois candidatos mais votados passarão para o segundo turno em 3 de novembro. (Com AFP)