Queimadas severas e difíceis de controlar em áreas densamente povoadas, como Los Angeles, foram as responsáveis ​​pelas perdas recordes do ano Incêndio em Pacific Palisades, na Califórnia — Foto: Loren Elliott/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 15:47 Incêndios Florestais em 2025 Causam Perdas Recordes de US$ 54 Bi Em 2025, os incêndios florestais atingiram recordes de prejuízos econômicos devido a queimadas intensas em áreas urbanas como Los Angeles, resultando em perdas de US$ 54 bilhões. Apesar de a área queimada ter sido pequena, os danos foram exacerbados pela alta densidade populacional. Estima-se que as perdas indiretas, como fechamento de empresas e problemas de saúde, elevaram os danos financeiros. Estudos apontam que incêndios menores, mas devastadores, estão se tornando mais frequentes e impactantes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Embora a área total queimada tenha sido relativamente pequena, 2025 foi o ano com os maiores prejuízos econômicos já registrados em relação a incêndios florestais, de acordo com uma nova análise publicada no domingo. Os incêndios de Los Angeles e alguns outros focos de incêndio severos em outros países, incluindo Coreia do Sul e Espanha, elevaram as perdas globais para pelo menos US$ 54 bilhões (R$ 271 bilhões), estima o estudo. Esse foi o maior nível de perdas seguradas já registrado. Esse valor não inclui todas as perdas indiretas, como dias de trabalho perdidos, fechamento de empresas e aumento da pressão sobre os sistemas de saúde. Trata-se também de uma estimativa conservadora, pois as seguradoras geralmente não compartilham dados confidenciais e os danos podem ser difíceis de avaliar em alguns países. Quando as estimativas de perdas indiretas são consideradas, os incêndios que atingiram a região de Los Angeles, por si só, acrescentariam pelo menos US$ 100 bilhões (R$ 503 bilhões) ao total, ressalta a pesquisa. Esses incêndios devastaram pelo menos 233 quilômetros quadrados no início do ano passado, matando pelo menos 31 pessoas e forçando mais de 150 mil moradores a evacuarem suas casas. Alguns especialistas estimam que centenas de pessoas morreram por causas indiretas, como inalação de fumaça. Os pesquisadores coletaram dados sobre a área e os danos causados ​​por incêndios florestais em 2025 no banco de dados EM-DAT, produto de um esforço global e colaborativo de pesquisa para monitorar desastres e seus custos para a sociedade e o meio ambiente. Não se trata de um panorama completo, mas fornece aos pesquisadores e formuladores de políticas estimativas mínimas dos danos causados ​​por incêndios, inundações e outros desastres. Os estragos provocados ​​pelos incêndios bateram recordes, apesar de apenas cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados terem sido queimados em todo o mundo, a segunda menor área atingida por incêndios florestais desde 2002. — Nem todos os incêndios são iguais — disse Matthew Jones, geógrafo físico da Universidade de East Anglia, que liderou o estudo. Ele observou que pequenos incêndios podem ter grandes impactos na saúde humana, na economia e no clima. Incêndios florestais severos e de difícil controle que atingiram áreas povoadas foram os principais responsáveis ​​pelas perdas do ano passado. As queimadas de Los Angeles, que causaram cerca de US$ 40 bilhões em perdas seguradas e aproximadamente US$ 140 bilhões em perdas totais, foram os incêndios florestais mais caros da História. Logo depois, em março, fortes ventos espalharam outro incidente de mesmo tipo por cerca de 1.046 quilômetros quadrados na Coreia do Sul, matando 32 pessoas. Foi o incêndio florestal mais mortal do país até então. Na Europa, o calor e a seca provocaram incêndios em toda a região do Mediterrâneo, que mataram 28 pessoas e desalojaram mais de 120 mil, segundo um novo estudo. Os analistas ainda estão avaliando os danos econômicos causados ​​pelos incêndios, mas a União Europeia declarou este ano que a temporada de incêndios florestais de 2025 foi a mais destrutiva já registrada. Em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, o Canadá registrou queimadas extremas em suas florestas boreais. Essas áreas não são densamente povoadas, mas as florestas ajudam a mitigar as mudanças climáticas, absorvendo o dióxido de carbono que aquece o planeta.mPara Jones, os custos, econômicos e de outras naturezas, do ano de incêndios de 2025 não foram surpreendentes. — Parece que isso deveria ser chocante, mas, considerando a tendência atual, está totalmente em linha com a atividade recente de incêndios — afirmou ele. — De fato, 2025 foi emblemático do novo normal para os incêndios. A área queimada pelo fogo tem diminuído nos últimos anos, em parte devido à expansão agrícola nas savanas africanas, que historicamente são propensas a incêndios. Até cerca de uma década atrás, os cientistas de incêndios e os especialistas em gestão de riscos estavam preocupados principalmente com o tamanho, destacou Crystal Kolden, cientista de incêndios florestais da Universidade da Califórnia, Merced, que contribuiu para o novo estudo. Grandes incêndios representavam os maiores riscos. Mas esse pensamento evoluiu. — Na última década, vimos incêndio após incêndio, ano após ano, com esses eventos de grandes perdas — declarou a Dra. Kolden. À medida que os incêndios começaram a atingir áreas urbanas densas com estruturas caras, os danos econômicos dispararam. — Temos uma alta densidade de perdas em uma área bastante pequena. Os especialistas chamam esses incêndios densos, mas destrutivos, de conflagrações urbanas: incêndios onde casas aglomeradas, em vez de vegetação, fornecem combustível. Eles queimam com muita intensidade e rapidez. E são difíceis de combater. A maneira como os pesquisadores acadêmicos e as seguradoras modelam e preveem incêndios está mudando em resposta a isso. Agora, os especialistas monitoram mais fatores do que o tamanho do incêndio, como a intensidade, a propagação das chamas e os custos diretos e indiretos para a sociedade. Essas informações fornecem a cientistas, formuladores de políticas e seguradoras uma visão mais completa do risco de incêndio e de como ele está mudando ao longo do tempo. — É como monitorar a saúde humana — pontuou Winslow Hansen, ecologista florestal do Cary Institute of Ecosystem Studies, que não participou do estudo. — Monitoramos diversos sinais vitais do corpo para verificar se algo está piorando e descobrir como mitigar isso. A principal conclusão do relatório, segundo especialistas, é que incêndios relativamente pequenos, mas incrivelmente devastadores, estão se tornando mais frequentes. — Esses incêndios, que não foram gigantescos, nos lembram que, embora a área queimada seja a variável mais fácil de monitorar relacionada a incêndios, ela não é necessariamente a mais importante — ressaltou Park Williams, cientista climático da Universidade da Califórnia, Los Angeles, que também não participou do estudo. — Mesmo pequenos incêndios podem ter consequências catastróficas para a sociedade.