Quando uma criança pede biscoito no supermercado ou insiste nos doces e rejeita o legume no prato, a cena costuma ser alvo de julgamentos precipitados, que culpam as famílias e, em especial, as mães. Essa é uma leitura comum, porém incompleta e equivocada, como mostra um estudo recém-concluído conduzido pelo Instituto Pensi.

A partir dos relatos de 142 pessoas ouvidas em cinco grandes centros urbanos do país, a pesquisa Comportamento Alimentar: Percepções e Desafios da Alimentação Saudável mostra que a alimentação infantil não se define apenas dentro de casa.

Ela é resultado de um conjunto de fatores que antecedem a refeição: o preço dos alimentos, a jornada de trabalho dos responsáveis, o ambiente alimentar disponível, o tempo de exposição a telas e a pressão constante da publicidade dirigida às crianças.

Os depoimentos revelam como esses fatores se entrelaçam nas escolhas cotidianas de famílias. Sem a pretensão de representar o país em termos estatísticos, o estudo ajuda a compreender como os pais e responsáveis negociam, na prática, o que gostariam de oferecer e o que de fato conseguem colocar no prato.

As famílias sabem o que é comer bem e o problema não está na informação, mas nas condições que moldam as escolhas.