O Governo trabalhista do Reino Unido divulgou esta segunda-feira a segunda tranche dos documentos relacionados com a nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos Estados Unidos. Entre as mais de 1500 páginas de ficheiros tornados públicos após requisição do Parlamento, estão emails e mensagens de WhatsApp trocadas entre o antigo governante e vários membros do executivo de Keir Starmer, incluindo ministros, assessores e conselheiros.De fora do domínio público ficaram os documentos relacionados com a investigação criminal que está a ser levada a cabo pela Política Metropolitana de Londres, por alegada partilha de informações confidenciais com Jeffrey Epstein, e que incluem ficheiros sobre o processo que levou ao veto do Serviço de Avaliação de Segurança (UKSV, na sigla em inglês).Na base do “chumbo” do UKSV à nomeação para embaixador – sobre o qual Starmer garante não ter sido informado – estarão relações de âmbito empresarial entre Mandelson e “figuras de topo na China, na Rússia e em Israel”, noticiou o Guardian na semana passada, e não a proximidade que tinha com o abusador sexual norte-americano, que levou à sua demissão, em Setembro de 2025.
Segundo Darren Jones, secretário-chefe do primeiro-ministro, algumas informações e nomes que constam os documentos desta segunda tranche foram omitidos por motivos de segurança nacional, em cooperação com as autoridades competentes. O primeiro bloco de ficheiros foi divulgado em Março.Um dos destaques destes documentos é uma carta escrita à mão, datada de Novembro de 2024, endereçada para o então ministro dos Negócios Estrangeiros, hoje vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, David Lammy, na qual Mandelson garante que o Governo “nunca” se iria “arrepender” de o nomear embaixador em Washington.Quer o motivo da sua demissão – as ligações com Epstein – quer o processo que levou à sua nomeação para o cargo constam entre os motivos que, segundo os estudos de opinião, ajudam a explicar a elevada impopularidade do Governo e de Starmer e o desastroso desempenho do Partido Trabalhista nas eleições autárquicas inglesas e legislativas galesas e escocesas realizadas no mês passado.











