O dólar exibe forte desvalorização frente ao peso colombiano na manhã desta segunda-feira, refletindo o bom humor dos agentes financeiros com os números do primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia. Os resultados da primeira etapa da corrida presidencial trouxeram uma surpresa positiva para os mercados, com o candidato de direita Abelardo de la Espriella obtendo cerca de 43,7% dos votos, contra 40,9% do candidato de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. Perto das 11h (de Brasília), o dólar recuava 1,40% frente à moeda colombiana, aos 3.627,90 pesos. A moeda da Colômbia é, de longe, a de melhor desempenho na sessão. Chamou atenção o fato de o resultado contrariar as expectativas baseadas nas pesquisas, que apontavam Abelardo de la Espriella como segundo colocado nesta primeira disputa. Como aponta Dev Ashish, economista sênior para América Latina do Société Générale, esse desfecho aumenta de forma relevante a probabilidade de uma mudança política pró-mercado, “o que sustenta um sentimento positivo de curto prazo para os ativos colombianos”. Ainda segundo o economista, uma reação positiva do mercado hoje já era esperada, uma vez que os mercados devem precificar cada vez mais um cenário de normalização das políticas econômicas. “Os investidores vinham demonstrando preocupação com o afrouxamento fiscal, a dinâmica da dívida pública e os riscos institucionais sob a continuidade de uma administração de esquerda”, diz. “A mensagem de de la Espriella — baseada em disciplina fiscal, postura pró-negócios e uma política de segurança mais rígida — responde diretamente a essas preocupações.” Além disso, Ashish lembra que as tensões com os Estados Unidos também podem diminuir sob uma eventual presidência de Espriella. O posicionamento dos investidores antes da eleição refletia apenas parcialmente um resultado favorável ao bloco conservador, por isso o banco francês diz ver espaço para uma reprecificação adicional dos ativos colombianos. “Ainda assim, a volatilidade deve permanecer até o segundo turno, diante das incertezas políticas remanescentes e da sensibilidade contínua a fatores externos (principalmente preços do petróleo e condições financeiras nos EUA).”