Uma rua pequena foi fechada neste sábado (30) em Campo Grande para um velório sem caixão, velas ou silêncio. No lugar, pessoas se reuniram entre roda de samba, bandas de rock, cerveja e dança para a despedida organizada pelo advogado e turismólogo Tiago Pitthan, 46, que vive com um câncer sem cura e decidiu participar do próprio velório organizado por ele.
A celebração, inicialmente planejada para cerca de cem convidados, precisou crescer após a repercussão nas redes sociais e entre amigos. O encontro foi pensado para ocorrer em um espaço que já abrigou um bar, mas acabou ocupando toda a rua Dom Lustosa, no bairro Seminário, com estrutura ampliada, praça de alimentação, área kids e equipe de apoio organizada por amigos e voluntários, que estimaram a presença de ao menos 400 pessoas.
O tom de velório aparecia mais no nome do que no ambiente. A programação começou com um duo de bossa nova e MPB, seguido por roda de samba no meio do público, apresentação cultural de maracatu, DJ e shows de rock.
Tiago circulava entre os convidados, abraçando amigos, cantando e posando para fotos.
No meio da festa, ele subiu ao palco para um discurso, um dos momentos mais aguardados da celebração. Entre agradecimentos e reflexões sobre o diagnóstico, insistiu em uma ideia repetida ao longo do encontro, de que o velório não era sobre a morte, mas sobre a vida.












