Doador teve infecção não diagnosticada; caso raro levou autoridades a revisar procedimentos de triagem Barney Kurowicki morreu em janeiro de 2025 após contrair raiva em transplante de rim — Foto: Reprodução | Funerária Handler RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/05/2026 - 15:27 Homem morre de raiva após transplante de rim nos EUA; CDC revisa protocolos Um homem nos EUA morreu de raiva em janeiro de 2025 após receber um transplante de rim de um doador com infecção não diagnosticada. O caso raro levou o CDC a revisar protocolos de triagem. Outros três pacientes também foram expostos, mas receberam tratamento preventivo a tempo. O episódio destaca a necessidade de melhorar a avaliação de doadores, embora transplantes continuem seguros e casos assim sejam raros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um homem morreu nos Estados Unidos, em janeiro de 2025, após contrair raiva por meio de um transplante de rim recebido de um doador cuja infecção não havia sido identificada pelos médicos. O caso, considerado extremamente raro, levou autoridades sanitárias americanas a reavaliar protocolos de triagem para doação de órgãos e tecidos. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), descobriu, em dezembro do ano passado, que outros três pacientes também contraíram a doença por meio de outros transplantes. Três pessoas, uma de Idaho, uma da Califórnia e uma do Novo México, receberam transplantes oculares preparados a partir das córneas recuperadas de James Martin, de Idaho, além de Barney Kurowicki, de 76 anos, do Michigan, que recebeu o rim. James Martin era pai de três filhos quando faleceu em dezembro de 2024, aos 59 anos. Segundo relatório dos CDC, Martin teria sido arranhado por um gambá enquanto tentava proteger um filhote de gato em sua propriedade rural, em outubro de 2024. Como ele acreditava não ter sido mordido pelo animal, não procurou tratamento preventivo. Cerca de seis semanas depois, começou a apresentar sintomas neurológicos, incluindo confusão mental, alucinações e dificuldade para engolir. Ele foi hospitalizado, entrou em coma e teve morte cerebral declarada. Transplantes infectados: polícia prende sócio e apreende materiais em laboratório 1 de 12 Walter Vieira, sócio do laboratório de análises clínicas PCS LAB Dr. Saleme, é preso — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo 2 de 12 Walter Vieira chega à Cidade da Polícia — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Polícia Civil deflagrou a primeira fase da Operação Verum — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo 4 de 12 Na foto, Ivanildo, responsável técnico pelos laudos da PCS Lab — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 12 Publicidade 5 de 12 Na foto, Márcia Vieira, sócia da empresa PCS Lab — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 6 de 12 Agentes da Decon na sede do laboratório PCS Saleme — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/ Divulgação X de 12 Publicidade 7 de 12 Um policial civil faz buscas na sede do laboratório PCS Saleme — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação 8 de 12 A sede do laboratório foi alvo de buscas — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação X de 12 Publicidade 9 de 12 Material achado no laboratório PCS Saleme — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação 10 de 12 Documentação encontrada no laboratório — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação X de 12 Publicidade 11 de 12 Material do laboratório — Foto: Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação 12 de 12 Um policial junto a uma viatura que transporta material apreendido na operação — Rafael Campos/Governo do Estado/Divulgação X de 12 Publicidade Delegacia do Consumidor recolhe provas no PCS Lab Saleme, em Nova Iguaçu Após sua morte, órgãos e tecidos foram destinados a transplantes. O rim foi transplantado em Kurowicki, enquanto córneas foram enviadas para pacientes em diferentes estados americanos. Como a infecção por raiva não é incluída nos exames de rotina para doadores de órgãos, o vírus passou despercebido naquele momento. Cerca de cinco semanas após o transplante, Kurowicki começou a apresentar tremores, fraqueza nas pernas, confusão mental e hidrofobia — aversão intensa à água, um dos sintomas clássicos da doença. O caso chamou a atenção dos médicos, que acionaram especialistas do CDC. Exames confirmaram posteriormente a presença do vírus da raiva. O paciente morreu poucos dias depois. A investigação revelou que três pessoas também haviam recebido enxertos de córnea provenientes do mesmo doador. Como medida preventiva, os tecidos foram removidos e os pacientes receberam profilaxia pós-exposição, tratamento capaz de impedir o desenvolvimento da doença quando administrado a tempo. Nenhum deles apresentou sintomas. Um quarto transplante de córnea chegou a ser cancelado antes da implantação do tecido. De acordo com o CDC, esta foi apenas a quarta ocorrência documentada de transmissão de raiva por transplante de órgãos ou tecidos nos Estados Unidos desde 1978. A doença é quase sempre fatal após o surgimento dos sintomas, mas pode ser evitada por meio de vacinação e tratamento preventivo após uma possível exposição. O episódio alertou o órgão sobre a necessidade de aprimorar os questionários de avaliação de doadores, especialmente em situações que envolvam contato recente com animais silvestres potencialmente transmissores da doença. Apesar do caso, as autoridades de saúde ressaltam que transplantes continuam sendo procedimentos seguros e que eventos semelhantes são considerados excepcionalmente raros.