Pela primeira vez no Brasil, dois centros transplantadores de cidades diferentes realizaram um transplante renal com doação pareada. A estratégia permite trocar doadores vivos incompatíveis por outros mais adequados aos receptores.

A iniciativa, conduzida pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e pela Santa Casa de Juiz de Fora (MG), abre uma nova possibilidade para pacientes que têm um familiar ou amigo disposto a doar um rim, mas que não podem receber o órgão por incompatibilidade sanguínea ou imunológica.

Hoje, cerca de 45 mil pessoas aguardam por um transplante de rim no Brasil. O órgão tem a maior demanda na fila nacional, representando cerca de 92% de toda a lista de espera por órgãos no país, e é também o mais transplantado no país. Em 2025, foram 6.697 cirurgias, marca inédita, com crescimento de 5,9% em relação a 2024.

O procedimento foi realizado em maio, em um protocolo de pesquisa aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa do Hospital das Clínicas. Ambos os pacientes passam bem.

As cirurgias ocorreram simultaneamente nas duas instituições: um doador de São Paulo viajou para Juiz de Fora para doar ao receptor mineiro, enquanto o doador da cidade mineira foi ao Hospital das Clínicas, na capital paulista, para realizar a doação ao paciente paulista.