A Rússia intensificou seus esforços secretos para minar a campanha de reeleição do líder da Armênia, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, antes da eleição do próximo mês, temendo que sua vitória consolide o alinhamento da ex-república soviética com o Ocidente, segundo autoridades de inteligência e governos ocidentais. Os planos de Moscou para a eleição de 7 de junho incluem campanhas de desinformação em favor de candidatos pró-Rússia e um ousado esquema para transportar dezenas de milhares de armênio-russos ao país para influenciar o resultado da votação. As informações são de cinco autoridades de inteligência ocidentais e de documentos analisados pela Reuters. Com cerca de 3 milhões de habitantes e sem acesso ao mar, a Armênia permaneceu majoritariamente na órbita de Moscou desde a Guerra Fria e abriga tropas russas. No entanto, Pashinyan, que lidera as pesquisas, aproximou-se da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tornando-se aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na quarta-feira declarou apoio à sua candidatura à reeleição. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, esteve nesta semana em Erevã, onde assinou um acordo sobre minerais críticos e outro referente à chamada “Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional”, um corredor de transporte proposto através da Armênia que pode reduzir ainda mais a influência russa na região. O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), e Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Armênia, apertam as mãos durante uma cerimônia de assinatura no Salão de Jantar de Estado da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, na sexta-feira, 8 de agosto de 2025 — Foto: Nathan Howard/Bloomberg Membro de uma união econômica liderada pela Rússia, a Armênia suspendeu sua participação na aliança regional de segurança comandada por Moscou em 2024. Neste mês, o país recebeu o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante uma cúpula de líderes europeus. O presidente russo, Vladimir Putin, não esconde seu descontentamento com a guinada promovida por Pashinyan. Nos últimos dias, Moscou advertiu que a Armênia poderia perder o acesso a gás natural barato e restringiu importações de produtos armênios, incluindo frutas, verduras, flores e conhaque. “O que Pashinyan está tentando fazer é uma ameaça à Rússia”, afirmou Thomas de Waal, pesquisador sênior da Carnegie Europe. A diversificação das relações externas significa que “a Rússia perde o monopólio virtual que manteve sobre a Armênia”. Segundo três autoridades ocidentais, o candidato preferido de Moscou é Samvel Karapetyan, bilionário que responde a julgamento sob acusação de incitar a derrubada do governo. Karapetyan, que possui cidadania armênia e russa, nega as acusações. Seu advogado, Robert Amsterdam, afirmou à Reuters que o cliente desconhece qualquer apoio russo. A Europa acusa há anos a Rússia de interferir em eleições, mais recentemente na Moldávia e na Hungria. Moscou, por sua vez, sustenta que a União Europeia e os Estados Unidos interferem em países próximos às suas fronteiras para atraí-los para a esfera de influência ocidental. Em resposta a um pedido de comentário, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a reportagem da Reuters contém informações falsas e promove uma “retórica anti-russa”. O departamento de comunicação do governo armênio se recusou a comentar as alegações específicas, mas afirmou que medidas estão sendo adotadas para combater a desinformação e garantir eleições livres, justas e transparentes.
Rússia usa eleitores importados e sites falsos para impedir aproximação da Armênia com Ocidente
Premiê Nikol Pashinyan, que lidera as pesquisas, aproximou-se da Europa e da Otan, provocando a fúria de Moscou












