O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido feito pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), para que o deputado assumisse o governo interino do Estado. A solicitação havia sido feita na quinta-feira (29), na ação que tramita na Corte sobre a situação eleitoral do Rio e da qual Fux é relator. O Rio vive uma situação institucional inédita, com o Executivo fluminense sob o comando do presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto, desde a saída do ex-governador Cláudio Castro (PL). Na época em que Castro renunciou ao cargo, as cadeiras de vice-governador e da presidência da Alerj estavam vazias. Assim, quem assumiu o Palácio Guanabara foi Couto. Essa vacância abriu uma disputa judicial no STF para definir como seria feita a escolha do governador para terminar o mandato atual. O julgamento na Suprema Corte, porém, está parado desde abril por conta de um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Ao indeferir o pedido de Ruas, Fux determinou que Couto se mantenha no cargo até o Supremo deliberar sobre a eleição suplementar do Rio. Não há expectativa, porém, para que o caso volte à pauta do STF antes do fim do prazo de vista de Dino, que deve expirar no início de julho. Na decisão, Fux reforçou que o plenário da Corte, ao suspender o julgamento, já havia decidido que Couto deveria ficar até uma decisão do Supremo sobre o impasse eleitoral no Estado. “No que tange aos requerimentos formulados pela Alerj, por meio de sua Mesa Diretora, deve-se recordar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão do dia 8/4/2026, estabeleceu expressamente que ‘até nova deliberação permanecerá no exercício do cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro o exmo. presidente do Tribunal de Justiça do Estado, com todos os poderes e prerrogativas inerentes à Chefia do Poder Executivo’. Dessa maneira, há determinação expressa do colegiado a obstar o conhecimento da pretensão formulada pela Alerj, o que não se altera pelos fatos supervenientes comunicados nos autos, haja vista que esses serão oportunamente submetidos ao conhecimento do Plenário desta Corte”, afirmou o ministro. Esse foi o segundo pedido feito pela Alerj para que Ruas assumisse o governo, desde que o deputado tomou posse no comando da Casa legislativa. A mesma solicitação já havia sido feita poucos dias depois da eleição de Ruas à presidência do Parlamento estadual, mas também foi negada pelo ministro Cristiano Zanin, relator da segunda ação que tramita na Corte sobre o mesmo tema. As duas estão sendo analisadas em conjunto pelo plenário do STF. Como não foi Fux que respondeu ao primeiro pedido, Ruas decidiu não recorrer da decisão de Zanin. Essa segunda solicitação era apenas um reforço para que Fux se manifestasse. O ministro foi um dos membros da Corte que já se manifestou no caso, votando contra uma nova eleição direta no Estado e defendendo que a escolha do governador-tampão fosse feita indiretamente pela Alerj. À parte das questões institucionais do Estado, politicamente Ruas quer assumir o governo interino para utilizar a visibilidade do Executivo fluminense para impulsionar sua pré-candidatura no pleito de outubro.