O comportamento do setor externo mostrou inversão de tendência na passagem entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, afirmou o coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ricardo Montes de Moraes. No resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026, as exportações caíram 1,7% ante o quarto trimestre, enquanto as importações subiram 4,4%. O desempenho vai na contramão do observado no quarto trimestre de 2025, frente ao trimestre imediatamente anterior, quando houve alta de 3,7% nas exportações e queda de 1,1% nas importações. “Na ponta da série [da pesquisa], houve inversão de tendências. As exportações vinham crescendo e caíram, enquanto as importações vinham caindo e subiram”, disse Moraes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, as exportações avançaram 7,4%, enquanto as importações aumentaram 1,2%. O ritmo da expansão anual é menor que o observado no quarto trimestre, quando houve alta de 14,2% nas exportações e recuo de 0,3% nas importações. No primeiro trimestre de 2026, os destaques positivos nas exportações foram indústria extrativa mineral, especialmente petróleo e gás, produtos alimentícios, outros equipamentos de transporte, metalurgia, e máquinas e equipamentos. Nas importações, destacaram-se veículos, derivados de petróleo, farmoquímicos/farmacêuticos, e artigos de vestuário. Os serviços de turismo, por sua vez, contribuíram positivamente tanto as exportações quanto para as importações. “Quando o turista estrangeiro vem para cá, e usa serviços de hotelaria, transporte, restaurante, isso é considerado exportação de serviços. Da mesma forma, quando os brasileiros vão para o exterior, e usam hotéis, restaurantes, transportes e afins, isso é uma importação de serviços. Os serviços de turismo foram destaque”, afirmou o coordenador de contas nacionais do IBGE. A despeito do bom desempenho da safra de soja no primeiro trimestre, esse resultado ainda não se refletiu positivamente nas exportações, segundo Ricardo Montes de Moraes: “Grande parte da produção de soja foi para estoques, vai ser vendida nos próximos trimestres”. — Foto: Pixabay