O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro — Foto: Evaristo Sá/AFP e Edilson Dantas/O Globo Após a queda nas pesquisas eleitorais com a revelação de sua ligação com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e sua campanha planejam fazer uma nova rodada de levantamentos nos próximos dias. A ideia é calcular o efeito no eleitorado da onda causada pela visita de Flávio ao presidente dos EUA, Donald Trump, e a decisão do governo americano de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. A medida é considerada uma vitória do bolsonarista, já que Lula esteva com Trump no início do mês e apresentou argumentos contrários à ideia. — Semana que vem é um momento ideal para nossa pesquisa. O Flávio tinha tido um crescimento rápido, é normal que haja uma queda — disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, minimizando os impactos da crise do Master. Entre integrantes da campanha, a avaliação é que o encontro com Trump não geraria grandes impactos no eleitor. A classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas, no entanto, abastece o discurso bolsonarista de que o governo petista seria brando com o crime organizado. A campanha de Flávio contratou dois institutos que fazem levantamentos quinzenais sobre as intenções na disputa pelo Palácio do Planalto. Quando ocorreu a revelação do áudio do filho de Bolsonaro com Vorcaro, as pesquisas foram adiantadas para medir o impacto da crise. Segundo membros da campanha, os dados internos mostraram queda de Flávio, mas houve migração de votos para outros candidatos e não para Lula. Já os levantamentos divulgados pelos institutos Meio-Ideia, Datafolha e Atlas/Bloomberg mostraram uma queda de cerca de cinco pontos percentuais do candidato no segundo turno contra Lula. Um dos membros da equipe de Flávio disse que, no caso do episódio da classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, as pesquisas contratadas pela campanha estavam previstas para ocorrerem no tempo ideal.