Após a viagem para ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem retorno previsto ao Brasil para esta quinta-feira (28). De volta com a foto do encontro na Casa Branca, o senador retoma as agendas da pré-campanha ainda sob pressão da queda nas pesquisas após a revelação de sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A crise abalou a confiança de aliados e movimentou outras candidaturas na direita, enquanto Flávio busca uma recuperação. Leia mais: O presidenciável do PL chega a Brasília por volta das 13h, segundo sua assessoria, e não tem agendas públicas previstas para o dia. Nesta sexta-feira (29), ele viaja para Curitiba, para o lançamento das pré-candidaturas do senador Sergio Moro (PL) ao governo estadual e do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e do deputado federal Filipe Barros (PL) ao Senado. Manter a agenda de campanha com ar de normalidade, afastando rumores de substituição do pré-candidato, era uma das intenções do entorno de Flávio para tentar ao menos reequilibrar o tom das aparições dele no noticiário, como mostrou o Valor. No momento, avaliações de atores políticos e econômicos consideram que o senador teve sua credibilidade prejudicada, mas tem conseguido resistir, por deter "força eleitoral". Em paralelo à análise do grupo ideológico próximo a Flávio de que a foto com Trump ajudou o senador a ganhar "fôlego" e demonstrar acesso ao governo americano, novas pesquisas nesta quinta refletiram o impacto negativo das suspeitas vinculando o pré-candidato ao fundador do Banco Master, no caso do financiamento do filme "Dark Horse". Segundo o levantamento Meio/Ideia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem de 5,1 pontos em um possível segundo turno contra Flávio após a revelação das mensagens, com 46,5% a 41,4%. O instituto também mostrou que a aprovação ao governo Lula oscilou positivamente em relação à rodada anterior e agora chega a 46,6%. Antes, era 44%. Na pesquisa Latam Pulse Brasil, divulgada pela AtlasIntel e Bloomberg, Flávio surgiu como o político com o maior percentual de imagem negativa (59%) e uma diferença de 21 pontos percentuais entre as avaliações negativa e positiva — o que foi atribuído, em relatório, ao "desgaste recente em torno das polêmicas envolvendo sua possível ligação com Daniel Vorcaro". Já Lula registrou a maior taxa de imagem positiva (48%) e o menor nível de rejeição, com saldo de 3 pontos entre as duas avaliações. Reflexos na direita A movimentação na direita se intensificou diante da hipótese de um vácuo, com a desaceleração de Flávio nas pesquisas. Os pré-candidatos do Novo, Romeu Zema, e do PSD, Ronaldo Caiado, desmentiram que tenham discutido sobre um ser vice do outro, o que criaria um novo polo na oposição, mas confirmaram a intenção de continuarem conversando sobre união da centro-direita, algo já esperado para o segundo turno. Zema foi pressionado por alas do Novo a baixar o tom sobre Flávio, depois da reação negativa do bolsonarismo à sua fala inicial de que a relação com Vorcaro era algo "imperdoável" e de sua decisão de manter o assunto em evidência — como na terça, quando reiterou publicamente suas críticas em reunião com investidores, manifestando "indignação" com quem se aproxima de "banqueiro bandido". Durante a viagem de Flávio aos EUA, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), emitiu sinais de cautela sobre o aliado, evitando compartilhar imagens da reunião com Trump e voltando a afirmar que o presidenciável ainda tem esclarecimentos a fazer. "Acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar", declarou Tarcísio na terça, dia da audiência na Casa Branca. O governador, no entanto, negou afastamento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse desejar "sucesso" na visita. Leia mais Em outra frente, as articulações para o lançamento de novos presidenciáveis da oposição avançaram. O presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), foi formalmente convidado pela federação PSDB-Cidadania para novamente concorrer à Presidência. A Justiça Eleitoral oficializou o cancelamento da filiação partidária do ex-ministro Aldo Rebelo ao DC, abrindo caminho para sua pré-candidatura ser substituída pela do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Futuro da candidatura A cientista política Lara Mesquita fez a avaliação, após o episódio com Vorcaro, de que o revés parecia não ser suficiente para "inviabilizar a pré-candidatura" de Flávio. "Se considerarmos que há cerca de 20% a 25% das pessoas que vão votar nele de qualquer forma, isso praticamente inviabiliza um terceiro candidato que se torne mais competitivo do que ele nas pesquisas", afirmou a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), em entrevista ao Valor. Segundo ela, o piso dificulta uma eventual retirada da pré-candidatura, o que também contraria "os interesses da família" Bolsonaro e os do PL. Mesquita disse que o partido busca se consolidar como líder da direita e "tem incentivos para lançar um candidato próprio, mesmo que ele não vença, porque isso ajuda a dar visibilidade para os candidatos [do PL] aos governos estaduais e ao Congresso".
Flávio Bolsonaro retoma agenda no Brasil ainda sob pressão das pesquisas e de aliados
Após foto com Trump, senador enfrenta desgaste com "abalo de credibilidade" e vê peças se moverem na oposição a Lula, com possíveis candidaturas de Aécio Neves e Joaquim Barbosa













