O pré-candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), desembarcou nesta segunda-feira (25) em Washington, capital dos Estados Unidos, na expectativa de uma possível reunião com o presidente Donald Trump. Prejudicado pela revelação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio tem a previsão, segundo aliados, de ser recebido amanhã — mas o encontro não foi confirmado pela Casa Branca. Um interlocutor de Flávio a par do assunto disse que o pré-candidato "foi convidado" para ir à Casa Branca, mas não forneceu detalhes adicionais. O temor entre pessoas próximas é que o vazamento de informações leve a um adiamento da agenda, que está sujeita a eventuais modificações da parte de Trump. Nos últimos dias, o presidente americano desmarcou compromissos para cuidar do acordo de cessar-fogo com o Irã. Bolsonaristas consultados pela reportagem confirmaram que a intenção é conseguir uma foto de Flávio com Trump, o que poderia ser visto como um trunfo neste momento de crise. A discrição em torno do assunto também tem a ver com o risco de que um cancelamento da reunião leve frustração à base de apoiadores. A agenda do presidenciável junto ao governo americano é atribuída a articulações de seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e está sob investigação no Brasil. Eduardo tem ligação com a ala ideológica mais radical do trumpismo e articulou medidas envolvendo o Brasil, em reação ao julgamento e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O blogueiro Paulo Figueiredo, que é parceiro do ex-deputado nas conversas com setores do governo dos EUA, afirmou no X que Flávio "está em Washington DC para uma série de reuniões de alto nível", mas não quis antecipar informações. "O resto, saberão em breve", escreveu aos seguidores. O pré-candidato à Presidência não fez publicações sobre a viagem até a tarde desta segunda. Questionado pela reportagem da BBC News Brasil, ao embarcar rumo aos EUA no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Flávio respondeu que não poderia dar detalhes sobre a agenda com representantes do governo americano e que a orientação era para "não falar nada antes de a reunião acontecer". Procurada, a campanha do PL não se manifestou. Também não houve comentários dos canais oficiais do governo americano. Questionado por jornalistas na última quinta-feira (21), em Brasília, Flávio respondeu em tom de ironia, falando em inglês, para negar que tivesse requisitado a agenda ao governo dos EUA. "No, I didn't ask anything. Nobody asked [não, não pedi nada. Ninguém pediu]", disse. A pauta da eventual conversa entre Flávio e Trump não foi divulgada, mas há discussões que interessam ao pré-candidato do PL. Entre elas, estão a bandeira da liberdade de expressão e a defesa da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Desde a semana passada, quando surgiu o rumor do encontro com Trump, a possibilidade era vista no entorno de Flávio como um acerto, dentro da estratégia de tentar "virar a página" em relação ao envolvimento com o Banco Master. Como mostrou o Valor, a pré-candidatura passou a rever os rumos depois do episódio e estabeleceu como prioridade criar fatos políticos que possam ajudar a neutralizar o escândalo. A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (22) — a primeira do instituto após virem à tona os pedidos de dinheiro de Flávio a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro — confirmou a previsão de aliados do senador de que uma queda seria inevitável, mas ficaria longe de enterrar a candidatura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio no primeiro turno e, agora, marca 40% de intenções de voto, ante 31% do rival. Em eventual segundo turno, Lula vai a 47%, e Flávio registra 43% — empate técnico, já que a margem de erro é de dois pontos. O instituto mostrou também que 64% dos entrevistados ouviram falar do caso Flávio-Vorcaro. Flávio Bolsonaro está em Washington para tentar se reunir com Donald Trump — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo