Tema está no radar da instituição e de diversos atores envolvidos nas discussões sobre como aperfeiçoar as regras O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 13:00 Banco Central intensifica medidas para mitigar riscos em captações com garantia do FGC O Banco Central do Brasil avançou em medidas para mitigar riscos em captações de recursos com garantia do FGC, visando evitar casos como o do banco Master. No entanto, a atuação das plataformas de investimento ainda carece de regulamentação direta. Especialistas defendem que essas plataformas forneçam informações claras sobre riscos e adotem práticas de autorregulação para proteger investidores menos experientes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira uma nova rodada de medidas para conter os riscos nas captações de recursos pelos bancos com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A nova resolução complementa movimentos anteriores que já vinham sendo feitos pela autoridade monetária e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para garantir uma melhor qualidade na gestão do risco assumido pelas instituições financeiro com recursos obtidos em depósitos com garantia do FGC, evitando a repetição do caso Master. Embora a melhoria regulatória diminua o estímulo a venda de Certificado de Depósito Bancário (CDBs, que são títulos de investimentos) com altas taxas de juros sem um bom alinhamento com o destino que a instituição vai dar para o dinheiro, o processo regulatório tocado pelo BC ainda não foi mais direto para disciplinar a forma de atuação das plataformas de investimento que oferecem esses títulos bancários. É um tema que está no radar da instituição e de diversos atores envolvidos nas discussões sobre como aperfeiçoar as regras para evitar repetição do desastre do Master, mas até agora não foi diretamente enfrentado. Responsáveis por ampliar a concorrência no mercado de investimentos e forçarem uma redução nas taxas de administração cobradas por fundos e bancos ao democratizarem o acesso aos diversos produtos de investimentos, essas plataformas também cometeram erros. A oferta de CDBs do Master e de outros bancos sem qualquer aviso sobre riscos envolvidos na operação e usando a cobertura do FGC como instrumento de propaganda para a venda desses títulos foi parte da crise. E ainda há muito pouca informação sobre as diversas dimensões que envolvem uma aplicação financeira, especialmente para um investidor com pouca qualificação e que normalmente tem decidido seus investimentos com base na taxa de juros oferecida. Especialista em autorregulação, o consultor do setor financeiro Marcos Torres defende que as plataformas sejam levadas a fornecer ferramentas para que o investidor, especialmente o não profissional, realize uma análise mais adequada e avalie o risco do emissor do papel que está sendo comprado. Ele comenta que a cobertura do FGC segue como argumento de venda, criando um “incentivo perverso” pela percepção, equivocada, de ausência de risco. – Da maneira como as plataformas vendem, elas fragmentam e saem vendendo até R$ 250 mil e de maneira agressiva. Esse ponto ainda não foi tratado. Ainda persiste a lacuna – afirmou Torres ao GLOBO. Ele sugere algumas medidas para melhorar a atuação das plataformas sem diminuir seu papel e o impulso concorrencial que elas geram tanto na indústria bancária como na de fundos de investimentos. Entre elas estão: Exigir que plataformas divulguem um rating simplificado dos bancos emissores, baseado em indicadores de balanço e capital já existentes, oferecendo informação clara e comparável sobre o risco sem demandar análise de crédito complexa.Obrigatoriedade de transparência e educação financeira, com um conjunto mínimo de informações padronizadas sobre o risco do emissor e oferecimento de cartilhas e treinamentos para qualificar o depositante para interpretar essas informações e entender os riscos.Criar normas acompanhadas de supervisão por um órgão de autorregulação. Para ele, o próprio FGC seria candidato natural, assim como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Uma outra pessoa envolvida nas discussões regulatórias sugere que a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) lidere uma autorregulação. Essa fonte também defende que haja uma regra mais restritiva para os chamados “bancos sintéticos” (bancos sem rede de captação própria, como era o Master) captarem por meio de plataforma. A ideia seria exigir que conforme os bancos crescem seu passivo (o volume de títulos emitidos), o requisito de captação própria, fora das plataformas, aumente. Meramente hipotético, se um banco tem passivos de R$ 5 bilhões, 100% poderia ser captado via corretoras. Se o passivo for de R$ 50 bilhõies, no máximo 50% da captação poderia ser pelas plataformas. Marcos Torres não concorda com essa ideia porque avalia que isso pode reduzir a concorrência e favorecer os bancos tradicionais com estrutura de rede de agências. Seja como for, a questão das plataformas precisa ser tratada mais diretamente, seja pelo BC seja por autorregulação.
BC avança em regras para mitigar repetição do Master, mas falta disciplinar plataformas de investimentos
Tema está no radar da instituição e de diversos atores envolvidos nas discussões sobre como aperfeiçoar as regras















