Um complexo estatal de hotéis à beira-mar, onde trabalhadores argentinos costumavam se hospedar por cerca de 10 dólares a noite, está prestes a ser transferido para o setor privado pelo governo libertário de Javier Milei. A medida representa o fim de uma era de “turismo social” peronista, informa reportagem do jornal britânico Financial Times. O diário lembra que o complexo de turismo popular foi construído no final da década de 40, sob o comando do ex-presidente Juan Domingo Perón e de sua carismática esposa, Eva Perón. Os nove hotéis de Chapadmalal incorporavam o princípio fundamental do movimento: garantir os direitos dos trabalhadores, incluindo o direito a férias. Até recentemente, os argentinos podiam passar uma semana lá, com hospedagem e alimentação inclusas, por preços subsidiados que às vezes chegavam a apenas 3 ou 4 dólares por noite. Até 5.000 hóspedes simultaneamente passaram dias na praia, jantaram servidos por garçons elegantemente vestidos e dançaram em festas nos terraços do hotel. “As pessoas que passavam os dias trabalhando na lavoura vinham para cá e sentiam: 'Sim, eu mereço isso'”, disse ao FT Cintia Suárez, de 43 anos, que trabalha em Chapadmalal há 20 anos e administra o museu dedicado a Eva Perón. “Não se pode subestimar o valor cultural... o que significa para as pessoas ter direito ao tempo livre”, disse ela. Milei defende que reduzir o tamanho do Estado é crucial para acabar com as crises econômicas crônicas. Seu governo manteve o complexo fechado durante a última temporada, que terminou em abril. No ano passado, Milei revogou uma exigência legal que obrigava o governo a fornecer o chamado “turismo social” e, em março deste ano, as autoridades anunciaram uma licitação para uma concessão privada de 30 anos do Chapadmalal, que não pode ser vendido devido aos termos em que o terreno foi adquirido na década de 40. Outro complexo estatal argentino, composto por sete hotéis à beira do lago em Córdoba, também será vendido. O presidente afirma que o turismo social estatal, que tinha um orçamento de aproximadamente US$ 7 milhões quando seu governo encerrou as operações em 2024, é incompatível com sua visão de livre mercado para a Argentina. O economista libertário vem desmantelando outros aspectos do modelo peronista de Estado forte, como as rígidas proteções industriais e regulamentações trabalhistas. “Não faz sentido o Estado gerir uma atividade complexa na qual não tem qualquer vantagem competitiva ou experiência”, disse, no ano passado, o ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger, sobre os hotéis, prevendo que um operador privado “aumentaria o seu valor turístico”.
Milei vai privatizar hotéis de ‘turismo social’ que têm diárias a US$ 10, diz jornal
Presidente diz que o turismo social estatal, que tinha orçamento de US$ 7 milhões quando o governo encerrou as operações, em 2024, é incompatível com sua visão de livre mercado para a Argentina












