Victor Cesar Carvalho dos Santos atuou em tratativas com núcleos do governo americano Victor César Santos — Foto: Domingos Peixoto/07-03-2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 11:55 EUA classificam Comando Vermelho e PCC como terroristas: impactos e reações no Brasil Victor Cesar Carvalho dos Santos, Secretário de Segurança do Rio, comemorou a decisão dos EUA de classificar Comando Vermelho e PCC como terroristas. Especialistas alertam para consequências sobre a soberania brasileira, destacando diferenças entre terrorismo e crime organizado. A decisão pode ampliar a cooperação internacional, mas também gerar confusões conceituais e aumentar influências externas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A decisão dos Estados Unidos de classificar Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como terroristas levou Victor Cesar Carvalho dos Santos, Secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a uma comemorar na internet. Em seu Instagram, Santos replicou nos stories uma imagem com a bandeira dos Estados Unidos com os dizeres "Orgulho define. Parabéns, amigos". Em 2025, além de tratativas com o governo de Donald Trump sobre as facções, ele, segundo o blog Segredos do Crime, também esteve na Itália com o general Michele Carbone, diretor da Direção de Investigação Antimáfia (DIA). As conversas foram sobre atuação do CV na Europa. A sua lógica era a de atacar as facções criminosas por meio da perda de patrimônio e da redução dos lucros. Imagem compartilhada por Victor Santos sobre decisão dos EUA — Foto: Reprodução Especialistas creem que a decisão anunciada pelos Estados Unidos para entrar em vigor a partir de 5 de junho pode afetar a soberania nacional, ainda que o Brasil não enfrente a crise pós-intervenção estadunidense que aconteceu com a Venezuela. Vitor de Pieri, pesquisador e professor do Instituto de Geografia da Uerj, defende que é preciso cautela na interpretação da decisão: — Embora a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas seja comemorada por setores da segurança pública por ampliar instrumentos de cooperação internacional e combate financeiro às facções, existem ao menos três ressalvas importantes que precisam ser consideradas: a primeira diz respeito à própria definição de terrorismo. Do ponto de vista jurídico e conceitual, há uma diferença relevante entre organizações terroristas e organizações criminosas. O terrorismo possui, tradicionalmente, motivação política, ideológica ou religiosa, buscando influenciar governos, alterar regimes ou produzir efeitos políticos por meio do medo. Já o PCC e o Comando Vermelho possuem como finalidade central a obtenção de lucro através de mercados ilícitos. O professor da Uerj sustenta que embora utilizem violência extrema e desafiem a capacidade estatal, a lógica fundamental das facções continua sendo econômica. — A ampliação indiscriminada do conceito de terrorismo pode gerar uma banalização da categoria e produzir confusões conceituais que dificultam a própria compreensão do fenômeno criminal. A Gardênia Azul, comunidade que era dominada pela milícia e agora está na mão do Comando Vermelho — Foto: Márcia Foletto/10-07-2024 O enquadramento de CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos podem também afetar a soberania, segundo o especialista, já que suas classificações passariam a integrar uma arquitetura jurídica e securitária internacional muito mais ampla do que aquela normalmente utilizada no combate ao crime organizado. A avaliação da experiência histórica latino-americana, com agendas de combate ao comunismo, ao narcotráfico e ao terrorismo, e o contexto mais amplo de reposicionamento geopolítico dos Estados Unidos no continente devem compor as análises. — A decisão dos EUA pode abrir espaço para mecanismos mais agressivos de monitoramento financeiro, sanções extraterritoriais e pressões diplomáticas sobre países considerados incapazes de controlar determinadas ameaças. Não se trata de negar a necessidade de cooperação internacional, mas de reconhecer que a classificação pode ampliar a margem de atuação externa sobre temas que, tradicionalmente, pertencem à esfera da soberania nacional — diz o especialista. — Isso não significa minimizar o poder das facções ou ignorar os desafios que representam ao Estado brasileiro. Significa apenas reconhecer que decisões dessa natureza produzem efeitos que vão além do enfrentamento ao crime organizado.
Secretário de Segurança do Rio posta bandeira dos EUA e comemora decisão sobre facções brasileiras
Victor Cesar Carvalho dos Santos atuou em tratativas com núcleos do governo americano













