O avanço da Hungria em reformas implementadas pelo novo governo permitirá que a Comissão Europeia libere 16,4 bilhões de euros em recursos europeus que estavam congelados, afirmou nesta sexta-feira (29) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Após reunião com o primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, von der Leyen disse a jornalistas que a União Europeia desbloqueará 10 bilhões de euros do fundo de recuperação Next Generation EU e 4,2 bilhões de euros de fundos de coesão. Outros 2,2 bilhões de euros serão liberados à medida que as reformas forem concluídas. “Posso confirmar que são 10 bilhões de euros que foram ou serão desbloqueados do Next Generation EU, mais 4,2 bilhões de euros relacionados à condicionalidade dos fundos de coesão e 2,2 bilhões de euros ligados à liberdade acadêmica, totalizando 16,4 bilhões de euros”, afirmou. “É uma soma considerável, mas o povo húngaro merece isso. Mais uma vez, muito obrigada pelo excelente trabalho realizado”, acrescentou. Os recursos europeus são considerados fundamentais para reativar a economia húngara, que praticamente estagnou nos últimos três anos. O novo governo herdou um déficit orçamentário crescente que, segundo a Comissão Europeia, pode alcançar 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, após os elevados gastos pré-eleitorais do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, derrotado nas eleições do mês passado. O banco central da Hungria manteve sua taxa básica de juros em 6,25% em 26 de maio, como esperado, diante da alta dos preços globais da energia e dos riscos fiscais domésticos. A instituição, contudo, destacou uma melhora significativa nas perspectivas de inflação, impulsionada pela valorização do forint. A moeda húngara tem se fortalecido com as expectativas de desbloqueio dos recursos europeus. “Vamos trazer esse dinheiro de volta para casa, como prometemos, para reconstruir a Hungria, reativar a economia, restaurar e desenvolver os serviços públicos e fortalecer a competitividade das empresas húngaras e das pequenas e médias empresas”, afirmou Magyar na coletiva de imprensa. Ele disse ainda que o acordo demonstra que as medidas anticorrupção de seu governo estão produzindo resultados. O combate à corrupção — amplamente criticada durante o governo Orbán — era uma das principais condições impostas pela União Europeia para liberar os recursos.