Um rapaz vestido de banana atravessa os jardins da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, enquanto, poucos metros atrás, um grupo de crianças vestidas de pijama às riscas segura uma cerca de arame improvisada. Mais à frente, há animais, cartazes gigantes de Ulisses, um Harry Potter rodeado de outros feiticeiros de Hogwarts e dezenas de alunos a gritar slogans de campanha pelos seus livros favoritos.As histórias pareciam ter saído das páginas dos livros, empunhados orgulhosamente por alunos, para entrar num desfile de Carnaval literário. Durante uma tarde, a Fundação foi o palco da divulgação do resultado de umas eleições improváveis, onde os candidatos não prometiam baixar impostos nem construir estradas: prometiam apenas ser dignos de ser lidos.Foi assim que se assinalou, nesta quinta-feira, a décima Final Nacional do Miúdos a Votos, um projecto da Rede Bibliotecas Escolares (RBE) e do Ministério da Educação que, há dez anos, transforma livros em candidatos eleitorais e alunos em eleitores. No meio de cartazes, raps e encenações, o entusiasmo sentia-se também nas próprias palavras dos alunos. “Porque tem rap”, justificava uma aluna ao explicar a preferência por O Homem-Cão, enquanto outros resumiam o apelo de forma mais directa: “É fixe”, “é divertido” e “é uma história engraçada”. Já sobre O Rapaz do Pijama às Riscas, havia quem sublinhasse a dimensão mais séria da leitura: “É um livro emocionante, ajuda-nos a entender a história e ensina-nos a ter amizade e a ajudar os outros”, dizia uma das alunas.A abertura da sessão contou com dois alunos da Rádio Miúdos (que também celebra 20 anos de existência) a conduzir a apresentação inicial. Seguiu-se a presença de Guilherme d' Oliveira Martins, administrador-executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, que sublinhou o papel da leitura na formação dos jovens e na missão educativa da instituição. “Ler é algo de fundamental. Leiam, porque ao lerem, podem descobrir coisas extraordinárias, incluindo a vocês próprios”, afirmou.