Miguel Coelho suspendeu os cargos de deputado municipal e de presidente do grupo municipal do PS em Lisboa. A decisão surge na sequência de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) desencadeada nesta quinta-feira a várias autarquias socialistas, no centro da qual está o ex-presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior.Através de comunicado, o socialista indica que, perante as "notícias que associam" o seu "nome às diligências hoje realizadas no âmbito da Operação Imergente", decidiu "suspender, com efeitos imediatos", o mandato de deputado na Assembleia Municipal de Lisboa."Faço-o para que esta situação não condicione o trabalho do grupo municipal do Partido Socialista, o normal funcionamento da Assembleia Municipal, nem fragilize a muito necessária fiscalização ao executivo municipal", defende.Mostrando-se de "consciência tranquila", Miguel Coelho garante que vai colaborar "com as autoridades competentes, no integral respeito pelo esclarecimento dos factos" e que vai defender-se "com a mesma honradez" com que procurou pautar o seu "percurso cívico e político".Noutro comunicado, o grupo municipal do PS em Lisboa dá conta de que, "consequentemente", Miguel Coelho suspende também as "funções de presidente do grupo municipal". Para os socialistas em Lisboa, esta decisão "traduz o seu sentido de responsabilidade institucional e a vontade de garantir que nenhuma circunstância pessoal condiciona o trabalho do grupo municipal, o normal funcionamento da Assembleia Municipal ou a fiscalização política ao executivo da Câmara Municipal de Lisboa"."O grupo municipal respeita plenamente o seu direito à defesa, a presunção de inocência e o trabalho das autoridades competentes no apuramento dos factos", declara, assegurando que vai continuar a defender "os melhores interesses dos lisboetas e da cidade".A PJ desencadeou uma megaoperação, a "Operação Imergente", em autarquias lideradas pelo PS que contrataram militantes e empresas destes para lhes prestarem serviços por ajuste directo ou por consulta prévia. No centro da investigação, por suspeitas dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, está Miguel Coelho, que foi deputado do PS de 1995 a 2019 e presidente da junta de Santa Maria Maior, em Lisboa. A operação resultou em cinco detenções e envolveu buscas na sede nacional do PS.