PUBLICIDADE Eduardo Moreno Lopes, alvo de operação nesta quinta-feira (28), teria "lavado" R$ 400 mil por meio de um clube de pôquer As plataformas 'Aposte Fácil' e 'Black Vegas', apontadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como parte de um esquema de jogos ilegais e lavagem de dinheiro ligado ao PCC. — Foto: Reprodução/DEIC RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 10:50 Empresário é acusado de lavar dinheiro do PCC em jogos ilegais O empresário Eduardo Moreno Lopes é acusado de liderar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, utilizando jogos ilegais. A operação "Falsa Las Vegas" revelou que Lopes teria "lavado" R$ 400 mil via um clube de pôquer. As investigações indicam que ele usou plataformas de apostas para ocultar valores ilícitos. A ação resultou no bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens e cinco prisões preventivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O empresário Eduardo Moreno Lopes, apontado pela polícia de São Paulo como um dos líderes de uma quadrilha que usava jogos ilegais para lavar dinheiro do PCC, relutou a entrar no mercado de apostas. Segundo diálogos obtidos pelos investigadores por meio da quebra de sigilos telemáticos, Lopes, conhecido como Tio, aguardava uma conta para depositar R$ 400 mil a um homem chamado Manoel. A prática seria para lavar dinheiro, afirmam os policiais. A ele foi oferecida a oportunidade de transferir o montante para uma casa de pôquer, o que foi prontamente negado. A alegação de Tio foi que ele não realizava operações por meio de contas dessa natureza. "Esquece, não faço conta assim, não", escreveu Lopes, em uma troca de mensagens com Manoel, que tenta convencê-lo. "Meu, essa conta é até melhor, porque qualquer coisa você fala que teve problema com jogo. Pode alegar ser viciado em jogo", afirma o interlocutor, em áudio transcrito pelos investigadores. Para a polícia, os diálogos mostram o início de uma cadeia de lavagem de dinheiro que passou a usar as apostas como meios para substituir outros segmentos mais "visados", como postos de combustíveis. "Na sequência, Eduardo efetua os pagamentos diretamente para a casa de jogos, validando a estratégia de ocultação e dissimulação de valores ilícitos mediante a exploração de jogos (...) A prática evidencia a forma calculista e perniciosa com que o tema jogos de azar é tratado no âmbito da atividade criminosa, apoiando-se em uma espécie de tolerância social, em que parte da sociedade tende a desconsiderar tais condutas, para fins de lavagem de dinheiro", aponta o trecho de um relatório da Polícia Civil sobre os crimes supostamente praticados por Tio. Sua defesa ainda não foi localizada pelo GLOBO. A operação “Falsa Las Vegas”, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil e Ministério Público, apura um esquema de exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação resultou no bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens de pessoas físicas e jurídicas, no sequestro de 76 imóveis e no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão, além de cinco prisões preventivas. Segundo a investigação, a operação é um desdobramento da “Falso Mercúrio”, que já havia levado ao bloqueio judicial de até R$ 6 bilhões em contas ligadas a 20 pessoas físicas e 37 empresas. A nova fase surgiu após a análise de documentos apreendidos na sede da ASX Participações e Tecnologia, que seria a Eduardo Moreno Lopes e apontada pelos investigadores como centro operacional do esquema. De acordo com a força-tarefa, o grupo utilizava uma estrutura dupla para operar os jogos ilegais. De um lado, a plataforma “Aposte Fácil”, vinculada à APF Tecnologia, operava junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), "conferindo aparência de legalidade às operações". Paralelamente, a plataforma clandestina “Black Vegas”, hospedada no exterior, oferecia jogos proibidos no Brasil, como o “Jogo do Tigrinho” e o “Jogo do Bicho”. O GLOBO tenta contato com as empresas citadas. Na sede da ASX, os policiais apreenderam cadernos manuscritos, registros financeiros, documentos ligados às plataformas e anotações sobre o fornecimento de 150 máquinas de cartão para uma instituição de pagamento. Para os investigadores, a estrutura demonstrava “capacidade de receber e circular valores em escala”.