As temperaturas médias globais devem atingir níveis próximos de recordes nos próximos cinco anos, enquanto as temperaturas no Ártico devem subir mais rapidamente do que em outras regiões, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pela agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Met Office do Reino Unido. O relatório anual, que traz previsões regionais para temperaturas e chuvas, projeta que as temperaturas médias globais anuais próximas à superfície ficarão entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais de 1850-1900. “Há evidências muito claras de que o clima está aquecendo e de que a temperatura média global continua subindo”, disse Melissa Seabrook, cientista pesquisadora do Met Office britânico, à Reuters. No Acordo de Paris de 2015, os governos se comprometeram a tentar impedir que o aumento da temperatura média global ultrapasse 1,5°C acima dos níveis pré-industriais — limite a partir do qual eventos climáticos severos passaram a ser observados com intensidade crescente. Sol, calor, aquecimento global, verão, onda de calor — Foto: Ant Rozetsky/Unsplash Recorde de 2024 como ano mais quente deve ser superado O relatório afirma que é muito provável que a temperatura média global próxima à superfície ultrapasse temporariamente 1,5°C acima da média de 1850-1900 em pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Também prevê que haverá um ano entre 2026 e 2030 em que as temperaturas médias globais superarão o recorde do ano mais quente já registrado, 2024, quando elas ultrapassaram pela primeira vez 1,5°C acima da era pré-industrial. Cruzar temporariamente o limite de 1,5°C não significa que o Acordo de Paris fracassou, afirmou Seabrook, observando que o tratado se refere a uma média de longo prazo ao longo de 20 anos, e não à superação do limite em apenas um ano. Ainda assim, ela destacou que, à medida que o mundo se aproxima desse patamar, aumenta a probabilidade de ele ser ultrapassado com mais frequência. “A ciência é muito clara ao mostrar que a janela para manter a temperatura média global em 1,5 grau está se fechando rapidamente”, acrescentou Seabrook. Eventos climáticos mais severos Segundo o relatório, as temperaturas de inverno no Ártico, no hemisfério norte, devem subir nos próximos cinco anos a um ritmo mais de três vezes e meia superior à média global, alcançando cerca de 2,8°C acima da linha de base de 1991-2020. Espera-se que o gelo marinho do Ártico derreta no mês de março ao longo da próxima meia década nos mares de Barents, de Bering e de Okhotsk. O aquecimento do Ártico também pode desestabilizar sistemas meteorológicos e provocar eventos climáticos mais severos, especialmente nas regiões mais ao norte do planeta, afirmou Seabrook. Também são previstas condições mais úmidas no hemisfério norte nos próximos cinco invernos, além de períodos de chuva no norte da Europa, Alasca, Sibéria e Sahel entre maio e setembro. Em contraste, o relatório prevê clima mais seco para a Amazônia nesse período. Um forte El Niño também é previsto para o inverno deste ano e pode persistir até 2027, elevando as temperaturas globais a níveis potencialmente recordes devido ao aquecimento do Oceano Pacífico, disse Seabrook. O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar nas regiões central e leste do Oceano Pacífico, que normalmente dura entre nove e 12 meses. Oslo terá pela frente uma batalha contra ambientalistas e empresas pesqueiras quanto às propostas enquanto tenta viabilizar a mineração perto de Svalbard, um arquipélago norueguês no Ártico — Foto: htears/PIxabay