O Kuwait afirmou nesta quinta-feira (28) ter sido alvo de um ataque com mísseis e drones atribuído ao Irã, em mais um episódio de tensão que ameaça o frágil cessar-fogo em vigor desde o início de abril e as negociações para um acordo de paz em andamento entre Teerã e Washington. Os militares kuwaitianos confirmaram a ofensiva sem detalhar quais instalações teriam sido atingidas. O Irã, por sua vez, anunciou ter realizado uma operação retaliatória na região, mas não especificou o alvo. Segundo autoridades americanas, os projéteis foram interceptados. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) classificou a ação iraniana como uma “violação flagrante do cessar-fogo”. O Kuwait é um dos principais aliados de Washington no Golfo Pérsico e já havia sido alvo de ataques iranianos e de milícias xiitas apoiadas por Teerã após o início da guerra. A escalada ocorre em meio a novas operações militares americanas no entorno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural. Nos últimos dias, os EUA afirmaram ter atingido lançadores de mísseis, embarcações usadas para instalar minas marítimas e drones iranianos considerados ameaças à navegação na região. Na segunda-feira, por exemplo, os EUA afirmaram ter realizado o que o Pentágono chamou de ataques “defensivos” contra lançadores de mísseis e embarcações de instalação de minas no sul do Irã. Já na noite de quarta-feira, autoridades americanas disseram ainda que forças dos EUA derrubaram quatro drones de ataque iranianos perto do estreito e bombardearam uma estação de controle em Bandar Abbas que, segundo Washington, preparava o lançamento de um quinto drone. Em comunicado na agência estatal Irna, a Guarda Revolucionária iraniana reconheceu o ataque americano nas proximidades do aeroporto internacional de Bandar Abbas e afirmou ter retaliado contra a base aérea usada na ofensiva. Não ficou claro, porém, se essa resposta corresponde ao ataque anunciado pelo Kuwait. Os novos movimentos aumentam a pressão sobre as negociações conduzidas pelo presidente Donald Trump para tentar consolidar um acordo com Teerã. O governo americano busca reabrir plenamente o Estreito de Ormuz e limitar o programa nuclear iraniano, enquanto o Irã exige alívio de sanções econômicas e acesso a ativos congelados no exterior. O fechamento parcial da rota marítima provocou disparada nos preços do petróleo e elevou custos de combustíveis ao redor do mundo, ampliando a preocupação dos mercados com uma nova deterioração da segurança no Golfo. Nos EUA, o aumento do do preço da gasolina tem provocado reação dos eleitores americanos e pode afetar o controle do Partido Republicano sobre a Câmara em meio à aproximação das eleições legislativas de meio de mandato. Apesar de ter afirmado repetidas vezes que o fim da guerra está próximo, Trump disse à imprensa durante uma reunião de gabinete na quarta-feira que ainda não estava “satisfeito” com as negociações com o Irã e que os EUA não discutiam aliviar as sanções ao país persa, uma das exigências de Teerã, em troca do urânio enriquecido dos iranianos. O presidente americano também desmentiu uma reportagem da TV estatal iraniana sobre um rascunho informal de acordo para restaurar o transporte comercial pelo estreito aos níveis anteriores à guerra em até um mês, com Irã e Omã administrando conjuntamente o tráfego. O programa nuclear iraniano, que os EUA querem desmontar, não foi mencionado na reportagem da TV iraniana. “Ninguém vai controlar o estreito”, disse Trump na ocasião. “São águas internacionais, e Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodi-los. Eles entendem isso, vai ficar tudo bem”, prosseguiu. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou que “a questão central é que o Irã nunca terá uma arma nuclear”. Trump discursa durante reunião de gabinete na Casa Branca — Foto: Evan Vucci/Reuters